sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Performance Dezembro/2010

O ano de 2010 não foi um ano bom para quem investe na bolsa em geral. O IBOV fechou o mês com rendimento de 2,36% e o ano com rendimento pífio de 1,04%; ou seja a pessoa perdeu dinheiro para a inflação. Já para quem faz alocação de ativos e diversifica bem o ano foi excelente e este mês de dezembro em especial foi ótimo! A carteira IF (plagiando o HC hahaha..) rendeu 3,52% no mês de dezembro, bem acima do Ibovespa e do CDI.

Vamos ao rendimento da carteira e de cada classe de ativos:



Revendo a alocação de ativos:


A Asset allocation vem se mantendo bem próxima do Target (30/30/30/10). O Ouro está um pouco abaixo do meu alvo devido aos custos altos de negociação (ágio grande na compra). A alta progressiva dos FII tem aumentado sua participação na carteira. Mas nada que valha a pena vender e realocar. Vamos analisar melhor cada classe de ativos

Ações

O Ibovespa no mês rendeu 2,36% enquanto que a carteira IF valorizou 3,89% + 0,75% de Dividendos e JCP, totalizando 4,64% no mês, batendo o IBOV. Os destaques do mês vão para a PETR4 que vem se recuperando e rendeu 11,84%; GGBR3 (lembram que comprei mais ações da GGBR3 em novembro durante uma forte queda??) que rendeu 12,63% e ITSA3 que rendeu 10,28%. Os dividendos generosos da ELPL4 também ajudaram muito o bom rendimento da carteira. Como comentei num post anterior este mês comprei ações da RDCD3, GETI3 e HYPE3, atingndo um total de 20 ações em carteira. Aos poucos a carteira vem atingindo uma boa diversificação, apesar de ainda não ser a ideal. A alocação no fim do mês ficou assim:



Fundos Imobiliários (FII)

Os FII foram novamente o grande destaque do mês, com valorização das cotas de 6,77% e mais distribuição de alugueis de 0,67%, totalizando 7,44% de rendimento no mês. O grande destaque vai para o FLMA11 que subiu assombrosos 25% no mês. A alocação no fim do mês ficou assim:



Ouro

O ouro após um ano de subida forte caiu um pouco neste mês de dezembro. Estou torcendo para que o ouro caia bastante para poder comprar mais. :-)

DI

Aqui o objetivo é não ter surpresas. O fundo DI tem tido uma boa performance, de 0,845%, bem próxima da LFT de 7/3/2012 que foi de 0,86%, com a vantagem da liquidez diária.



Aqui atualizei o rendimento dos últimos meses, desde que formei esta nova carteira de ações:




Vemos que a carteira vem tendo um ótimo desempenho no período, equivalente a mais de 200% do CDI, em um período de baixa performance do Ibovespa, sem trades, sem tentar advinhar o futuro, e com baixa volatilidade. Neste período o pior rendimento foi do DI, as ações conseguiram bater o DI por pouco; enquanto que o ouro e os FII foram os grandes responsáveis pela boa performance da carteira.


Espero que o mês de voces tenha sido tão bom ou melhor que o meu.
A todos um feliz 2011!!

Abs

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Compras de Natal

Natal, férias, décimo terceiro, dinheiro no bolso e o brasileiro parte para compras de natal; aproveitei um dinheirinho a mais também para fazer as compras de natal, aproveitando alguns artigos que estão em promoção, com alguns descontos no mercado:

- Redecard (RDCD3) à R$ 20,75 - próxima da mínima do ano a Redecard vem sentindo o peso da concorrencia e das maiores exigencias do governo sobre o setor; com P/L de 9,6 e DY 10,2% me parece uma boa compra para o longo prazo.

- Hypermarcas (HYPE3) à R$ 22,59 - empresa Growth com forte crescimento por meio de aquisições, mas com um endividamento baixo em relação ao P/L; teve queda de 17% no mês após a última aquisição da Mantecorp

- AES Tiete (GETI3) à R$ 20,25 - Está não é exatamente um promoção, mas uma boa opção para reforçar os dividendos da carteira; DY 9,6%


Assim cheguei ao fim de 2010 com uma carteira com 20 ações, com uma diversificação razoável. Detalhes maiores na análise da performance do mês.

A todos os amigos virtuais um Feliz Natal, boas festas e um próspero ano novo!!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Checando as previsões

O futuro é imprevisível, e assim também é o mercado financeiro. Contudo toda a industria financeira é fortemente baseada em previsões. Todos os anos os analistas, economistas e as corretoras fazem suas previsões quanto ao indice bovespa, taxa de juros, taxa de cambio, inflação, melhores empresas para investir e com suas respectivas recomendações de investimento. A maioria dos analistas erra feio suas previsões e trata de não comentar muito, comentando apenas os pequenos acertos. Um ou outro que acerta, muitas vezes por sorte vira o novo guru dos investimentos. E assim vai ano a ano, enquanto os investidores correm de um lado para o outro atrás do novo "melhor fundo" ou "melhor analista".

O grande problema da maioria esmagadora dos investidores  é não aceitar a incerteza. Não aceitar que "os rendimentos passados não garantem os rendimentos futuros". Não aceitar o comportamento imprevisível dos mercados e as consequentes perdas daí decorrentes. E se tenta por diversos artificios tentar criar ordem no caos. Para isto os investidores se enganam com supostas ferramentas como a análise técnica que permitiriam a eles entender para onde vai o mercado. Quando a analise técnica eventualmente acerta o investidor reforça sua crença supersticiosa nos gráficos, suportes, resistencias, Fibonacci, ondas de elliot e outras tantas baboseiras. Quando a análise técnica da errado é por que os "Tubas" estão manipulando o mercado. Ou seja, quando ele erra ele na maioria das vezes não reconhece que a análise técnica não serve para nada e continua tentando "dominar" o mercado, vai fazer novos cursos, compra "Trade Systems" e continua assim dando seu dinheiro para os profissionais da bolsa, que vivem não dos seus investimentos ou dos seus trades, mas de vender livros, cursos e newsletters sobre como ganhar dinheiro na bolsa.

O que todos precisam fazer é anotar e checar as previsões dos analistas e corretoras, de economistas ou da análise técnica. Somente fazendo isto diversas vezes, anotando as previsões e checando, anotando e checando e talvez muitas vezes perdendo bastante dinheiro no processo é que o investidor eventualmente pode alcançar "a iluminação" e perceber que é impossível prever os rumos de um sistema tão complexo como a economia em que bilhões de agentes diferentes atuam para determinar a oferta e procura das diversas mercadorias.

O problema nem é tanto fazer previsões pois elas são inerentes do ser humano. O problema é quando a pessoa não enxerga que a previsão pode ter muitas falhas e aposta grande parte do seu dinheiro nestas previsões. Ao rever meus posts antigos vi que até eu que sou avesso a futurologia fiz algumas previsões (bem genéricas) sobre 2010. Vamos dar uma checada nestas previsões que estão no post "O que esperar de 2010?":

"Se tivesse que fazer apostas diria que a bolsa deve oscilar muito em 2010, sem grandes ganhos no índice, com ganho maior entre algumas small caps e um aumento da taxa selic, sendo que possivelmente os maiores ganhos fiquem com o ouro e CDI."

Como futurologista até que não me sai tão mal hein? Acertei os rumos da bolsa e que o DI e o ouro seriam alguns dos melhores investimentos. Só não previ o avanço dos Fundos imobiliários.

Mas vejam que mesmo acreditando que a bolsa não iria bem em 2010 eu mantive investimentos na bolsa de 30% do meu capital. E não tentei especular fazendo uma grande aposta no ouro (infelizmente..). Ou seja, as previsões são inerentes do desejo do homem de controlar o seu futuro, mas não devemos basear nossos investimentos nem na análise do passado nem em previsões sobre o futuro. Devemos entender bem cada classe de ativos e seus comportamentos e montar uma estratégia de alocação diversificada que se beneficie de vários cenários.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

O ano está chegando ao fim  e esta época do ano é um bom momento para refletir sobre o ano, tudo o que aconteceu, e se suas decisões foram ou não acertadas, incluindo na área financeira. Neste ano de 2010 acabei refinando e definindo melhor minha estratégia de investimentos. Montei uma carteira de investimentos diversificada com a meta de alocação de 30% na renda fixa (fundos DI com taxa de administração de 0,7%), 30% em ações, 30% em Fundos Imobiliários e 10% de ouro. A principal mudança durante o ano foi sair do investimentos em ETFs e migrar para ações individuais, principalmente devido a tributação dos ETFs e as vantagens tributárias das ações e ao fato de poder receber diretamente os dividendos. Vendi então minhas cotas de BOVA11 e SMAL11, paguei o maldito imposto de renda e comecei a montagem de uma carteira individual.


A idéia inicial era replicar o IBOV mas depois desisti da idéia or ser inviável. Apesar disto minha carteira é constituida principalmente de blue chips com algumas ações boas pagadoras de dividendos e algumas poucas small caps. 

Resolvi este fim de ano então rever o comportamento da minha carteira após esta mudança e ver como ela se comportou.







 Ao rever os últimos seis meses algumas coisas chamam bem atenção. A renda fixa não há muito o que comentar. A carteira de ações teve muita volatilidade e praticamente não saiu do lugar com um pequeno ganho. Já os FII e o ouro vem com uma valorização excelente. Outro ponto a destacar é que a carteira como um todo tem tido um excelente resultado, equivalente a 180% do CDI, ganhado da renda fixa e da bolsa com folga e sem stress, com uma estratégia simples, consistindo apenas de buy and hold de bons ativos de forma bem diversificada, sem trades, sem usar análise técnica, sem tentar prever o futuro.

E voces amigos? Pensam também em fazer uma retrospectiva?  Como foi o seu ano como um todo?

Abs

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Performance Novembro / 2010

A crise na Europa vem trazendo um forte aumento na volatilidade aos mercados financeiros. Neste mês de novembro a bolsa caiu fortemente no fim do mês fechando em - 4,2%. Enquanto isto, apesar da minha carteira de ações ter perdido ligeiramente mais que o IBOV, a performance geral da carteira foi muito boa, valorizando 1,52% devido a forte subida do ouro e da forte valorização dos Fundos Imobiliários. Vejamos:







Um gráfico com a Asset Allocation, que está bem proxima do meu alvo:



E um gráfico com a os detalhes do portfolio e o percentual de cada ação. A minha carteira está com 18 ações, mas ainda está muito concentrada, com as maiores posições para a PETR4, VALE5 e ELPL6. Este mês aproveitei esta queda forte das ações da Gerdau e comprei um pouco mais. O setor siderurgico não está em um bom momento mas para o longo prazo acho que é uma boa aposta. 




 E agora os Fundos Imobiliários, que junto com o ouro foram a grande estrela do mês; as cotas valorizaram 6,8% e além disto recebi de rendimentos distribuídos o equivalente a 0,7%. Neste mês comprei mais algumas cotas do NSLU11B a R$ 201,00.




Não venho detalhando o rendimento de cada ação e de cada FII pois ficaria um texto muito longo e além disto o importante é o rendimento global e não o rendimento individual de cada ativo.

O DI vem mantendo um rendimento razoável e a expectativa é que haja um aumento da taxa selic devido ao aumento da inflação.

E quanto ao ouro, vem com uma progressiva valorização em face da continua desvalorização das moedas pelos bancos centrais. Ou seja, não é o ouro e os outros ativos como a bolsa e imóveis que estão muito caros, mas a moeda que vem progressivamente desvalorizando e quem não se precaver vai acabar vendo seu patrimônio dilapidado pela inflação.

Abs

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Novos Links

Ultimamente devido a alguns problemas pessoais não tenho tido muito tempo para "blogar". Mas gostaria de compartilhar com todos alguns excelentes sites e blogs que descobri recentemente, que coloquei na lista de links e blogs e que gostaria de destacar aqui pela sua importância e relevância.

Na parte de links, tem o excelente site Pico do Petróleo, primeiro site brasileiro focado na problemática do pico do petróleo,com muitos artigos de sites internacionais traduzidos para o português.

E na parte de blogs 2 excelentes blogs que trazem vários comentários sobre a  economia internacional, com traduções de artigos de vários sites e mostrando muitos pontos que não saem nos meios de comunicação convencionais. São eles os blogs:

- Platteon: Economia e Finanças

- Chave de Ouro

Divirtam-se com a leitura.

Abs

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mercado Eficiente e Value Investing - parte 1

Os mercados são eficientes e precificam corretamente os ativos ou através da análise fundamentalista é possível encontrar ações subvalorizadas ?? A princípio a teoria dos mercados eficientes e o Value Investing (investimento em valor) parecem ser estratégias opostas de investimento;e na verdade existe um grande embate entre os defensores de cada uma destas estratégias, cada um apontando evidências ora para uma, ora para outra estratégia.

Eu não vou ficar aqui detalhando cada estratégia a fim de que o post não fique muito extenso. Se voce não sabe do que estou falando sugiro que leia antes estes posts:

Teoria dos Mercados Eficientes: Introdução
- Todos os posts na Tag Análise Fundamentalista

Em primeiro lugar gostaria de repetir que existe uma grande má-interpretação sobre o significado da eficiência do mercado. A eficiência do mercado não significa que o preço da ação está sempre "certo". E o que significa? Preste bem atenção: Significa que todas as informações disponíveis ao mercado são incorporadas muito rapidamente em vários modelos de precificação do preço futuro do ativo, de forma que o preço da ação reflete a melhor estimativa da maioria dos investidores sobre o valor da ação.

Vamos analisar as palavras destacadas em negrito para entender melhor a eficiência do mercado e para ver por que mesmo o mercado sendo relativamente eficiente nem sempre o preço das ações reflete o "valor":

- "Informações disponíveis": O mercado reflete as informações disponíveis. Assim pode haver uma precificação errada se houver uma fraude dos balanços (vide o caso do Panamericano); daí que quanto mais informações disponíveis uma empresa divulga ("transparência") mais fácil é fazer uma precificação correta.

- "As informações novas são incorporadas muito rapidamente": Este ponto é a essência do conceito de mercado eficiente; ou seja, se voce ao fazer uma análise fundamentalista de uma empresa achar uma grande pechincha pode ter certeza de uma coisa: que estas mesmas informações são conhecidas pelo mercado e mesmo assim os demais investidores não acham uma pechincha. Quem estará certo? Voce que acha uma pechincha ou todos os outros investidores que acham que o preço atual é o correto? Obviamente existe uma chance pequena de voce estar certo, especialmente se voce conhece profundamente este setor da economia e aquela empresa específica, mas o mais provável é que voce não tenha avaliado de maneira correta os riscos daquela empresa. Ou seja, provavelmente existe um bom motivo para ela estar barata.

- "Melhor estimativa": O preço do mercado é uma estimativa do valor da empresa baseada em diversas variáveis como taxa selic, taxa de cambio, inflação, preço das mercadorias, lucro futuro, market share,projetos futuros, etc. O preço é a melhor estimativa do comportamento futuro destas variáveis de acordo com as informações atuais disponíveis. Havendo tantas variáveis podemos facilmente deduzir que existe grande margem de erro. Daí por que muitas vezes o preço da ação acaba depois não refletindo o "valor". O mercado estava precificando um crescimento X no lucro, por exemplo, e ele veio menor, então as novas informações são incorporadas muito rapidamente e é feito uma nova "melhor estimativa" com as informações atuais. Assim apesar das informações disponiveis estarem precificadas, nem sempre as expectativas do mercado se concretizam.

Agora além disto existem pelo menos mais 3 fatores que influenciam o comportamento dos mercados:

- No curto prazo existe uma volatilidade excessiva pois nem todos os investidores são racionais, além dos novatos, sardinhas, traders, entre outros, que criam muito "ruído de fundo" mas na maioria das vezes acabam trocando figurinhas entre si ou sendo "arbitrados"

- Eventos não esperados (Black Swan): estes eventos por sua própria natureza não estão precificados nos preços dos ativos; e sua ocorrência gera ajustes muito rapidamente (já que os mercados são eficientes e incorporam rapidamente as novas informações) nas "melhores estimativas" do mercado.

- Fatores emocionais: Existem na economia momentos de euforia e pânico nos mercados que eventualmente distorcem a percepção das pessoas sobre os preços dos ativos formando temporariamente bolhas. Mas eu não vejo isto como um argumento contra a eficiência do mercado, mas apenas como períodos de expectativas exageradas que depois se mostram infundadas.

Ou seja os mercados são relativamente eficientes mas isto está longe de dizer que são perfeitos. O mercado é relativamente eficiente, mas mesmo assim sujeito a erros de precificação, principalmente por 2 motivos: informações falsas ou incompletas e expectativas exageradas que não se concretizam.

Por hoje é só. No próximo post vamos analisar alguns aspectos do value investing e sua relação com os mercados eficientes.

domingo, 7 de novembro de 2010

Performance Outubro/2010

Mais um mês muito bom. Apesar da grande flutuação dos mercados devido as eleições; repercussões da capitalização da Petrobrás e o Quantitative Easing II, o resultado da carteira foi muito bom com destaque para o ouro, que cada vez reluz mais e mais. :-)

Aqui vai o rendimento de cada classe de ativos e da carteira como um todo.


E aqui a minha asset allocation, que não tem mudado muito.




Ações

O rendimento da minha carteira de ações foi de -0,5%. Recebi dividendos equivalentes a 0,21%, totalizando um rendimento de -0,29%.

A minha carteira este mês ficou abaixo do IBOV, especialmente devido a Petrobrás que caiu muito no começo do mês; aproveitei e comprei em 25/10 mais um lote de Petrobrás a R$ 24,52; no dia seguinte a Petr4 subiu 5% e no fim do mês deu uma recuperada, apesar de acabar o mês com 3% negativo. Dei sorte e peguei um lote no fundo do poço.

Fiz também algumas alterações na minha carteira - vendi a VIVO4 praticamente no zero a zero e comprei Redecard (RDCD3) e Confab (CNFB4). Minha carteira ainda está muito concentrado na Petrobras, mas tudo bem; aos poucos vai ficando mais diversificada. Então a minha alocação ficou assim:





Fundos Imobiliários (FII)

As cotas dos FII valorizaram 0,37% e recebi de rendimentos 0,69%, totalizando 1,06%. Comprei algumas cotas do fundo Presidente Vargas (PRSV11) que está em uma cotação interessante, abaixo do preço de lançamento e com distribuições mensais equivalentes a 0,76% isento de IR. Aqui está minha alocação em FII:





O Ouro e o DI não há muito o que comentar. Só queria comentar algo sobre o ouro. Ao meu ver não há bolha. Bolha existe na politica do FED com esta enxurada de dólares levando a apreciação dos ativos reais como ouro, ações e imóveis e uma depreciação progressiva das moedas. Enquanto esta politica sem sentido continuar o ouro, juntamente com os outros ativos reais vai continuar apreciando. O ouro só vai começar a cair quando o FED e outros bancos centrais começarem a ter uma política mais sensata. Ou seja o aumento do ouro tem fortes fundamentos

E este mês de novembro começou excelente!!!

Abs

domingo, 24 de outubro de 2010

Experiência de 6 meses em Semi-aposentadoria

Estive seis meses em um tipo de semi-aposentadoria no período de janeiro a junho de 2010 e gostaria de compartilhar um pouco da experiência. Para quem não leu ainda acho interessante ler os artigos anteriores sobre o assunto na tag Aposentadoria.

Primeiro o que me permitiu esta semi-aposentadoria basicamente foi meu trabalho. Sou profissional liberal e posso escolher os dias e horas que desejo trabalhar. Além disto eu ganho razoavelmente bem e consigo viver bem com metade do meu salário. Geralmente o que fazia era investir a outra metade do meu salário em um portfolio diversificado. Mas depois comecei a perceber que em vez de investir a metade do meu salário poderia simplesmente trabalhar a metade do tempo e ter a metade da semana livre. Obviamente a maioria deseja trabalhar o maior número possível de horas para ganhar mais. Mas se voce tem um trabalho que lhe permite uma certa flexibilidade esta é uma opção interessante, e foi o que resolvi experimentar.

O motivo maior de partir para uma semi-aposentadoria também tem haver com meu trabalho. Meu trabalho é muito estressante. Ganha-se bem mas o preço a pagar é alto. O desgaste psicológico é grande. Além disto, digamos que como a maioria das pessoas eu não estou no trabalho dos meus sonhos. Na verdade eu quando criança gostava muito da área de exatas, de matemática e física, mas acabei seguindo carreira em outra área por influência dos meus pais. Eu era muito jovem e influenciável e revendo hoje, já mais maduro, acho que deveria ter seguido outra carreira, mesmo sendo algo que talvez ganhasse menos. Então basicamente hoje tenho três opções - Trabalhar muito em algo que não gosto e me aposentar o mais cedo possível, trabalhar o mínimo possível e desfrutar uma semi-aposentadoria ou tentar mudar de carreira.

A vantagem da semi-aposentadoria é que  como eu diminui a minha carga de trabalho pela metade, meu stress também diminuiu pela metade. Pude acordar tarde, passear com o cachorro, fazer mais exercícios, ler mais, passear, e fazer tudo que gosto. Por outro lado não sobrava mais nenhuma grana para investir e meus investimentos basicamente ficaram na dependencia dos seus rendimentos, ou seja, demoraria muito mais tempo para poder chegar em um valor suficiente para uma aposentadoria definitiva. De qualquer modo se voce trabalha pouco, qual o sentido em se aposentar?? O meu problema é que não gosto muito do que faço e meu sonho seria mudar de área. E apesar de aliviar muito o stress a semi-aposentadoria não me permitia mudar de área, por estar comprometido a metade da semana e sem muita folga no orçamento. De qualquer forma a semi-aposentadoria foi como uma férias que me permitiu "recarregar as baterias".

Resolvi então desde julho/2010 voltar a trabalhar em tempo integral para poder juntar mais uma grana que me permita depois fazer a transição para uma outra carreira. A idéia é conseguir juntar um portfolio que me renda um mínimo suficiente para que eu consiga me manter. Isto levanta uma questão interessante - Obviamente todos gostariam de se aposentar ganhando muito, mas qual seria o valor mínimo que voce conseguiria sobreviver?? Se usarmos uma taxa segura de retirada de 4% do portfolio voce vai precisar de um portfolio no valor de 300 vezes suas despesas mensais. Ou seja se voce consegue viver com R$ 1.000,00 por mês voce precisa de um portfolio de R$ 300.000,00; se voce precisa de um R$ 2.000,00 precisaria de um portfolio de R$ 600.000,00; Já se voce precisa de uma renda de R$ 10.000,00 voce precisa de um portfolio de R$ 3.000.000,00. Ou seja quanto menos voce gastar mais fácil é se aposentar. Obviamente como eu penso não em me aposentar mais em mudar de carreira o portfolio não precisa ser tão grande, só precisa me manter alguns anos até fazer a transição; neste caso, com um portfolio menor eu provavelmente teria que consumir uma parte do portfolio já que os rendimentos não seriam suficentes para bancar todas as despesas. 

Em um portfolio com estes objetivos é importante equilibrar a necessidade de crescimento com a preservação de capital além da geração de renda. E foi este um dos motivos para optar por um portfolio no estilo do portfolio permanente com a alocação de 30% em ações, 30% renda fixa e 30% fundos imobiliários. São muitas variáveis e cada dia vou fazendo pequenos ajustes nos planos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Performance Setembro/2010

Setembro foi um mês excelente. O Ibovespa rendeu 6,58%. E minha carteira de ações rendeu 7,16%. O portfolio no geral rendeu 2,34%.




Segue a alocação geral do portfolio.



Alocação em ações:




Acabei optando por não trazer o rendimento individual de cada ação pois ficaria bem cansativo. Mas o destaque positivo vai para as construtoras e para a CCR e o destaque negativo para Petrobras, Gerdau e Eletropaulo.

Alocação em Fundos Imobiliários:



Investimentos:

Este mês investi um pouco no DI, reinvesti os dividendos que recebi da eletropaulo e comprei mais algumas ações da ELPL6 aproveitando a liquidação e iniciei um investimento em um novo FII - o Nossa Senhora de Lourdes (NSLU11B), um fundo imobiliário de um hospital na zona sul de São Paulo.

Abs

domingo, 3 de outubro de 2010

Lançamento Coberto vs Buy and Hold

Qual o melhor? Fazer Lançamento Coberto (LC) ou Buy and Hold?? Infelizmente não temos no Brasil, até o ponto em que eu saiba, nenhum estudo sério que compare o Buy and Hold com o LC. Na verdade existem várias estratégias de LC, tanto com lançamentos ATM, ITM e OTM; em algumas estratégias se visa a maior taxa possível, geralmente com lançamentos ATM; há outras em que se visa maior proteção do capital com lançamentos ITM e já outras em que se visa apenas alguma remuneração extra com lançamentos OTM, em que o lançador não quer ser exercido. Também depende de como o lançador vai "pilotar" o lançamento coberto, se ele vai levar ao vencimento, se vai recomprar após a opção cair X %, como ele faz as rolagens, entre outras variáveis. Ou seja é praticamente impossível também que um estudo contemple tantas variáveis.

Já no mercado americano existe muito mais informações para avaliarmos a viabilidade de uma estratégia de LC, também conhecida como Covered Calls ou Buy Write. Uma coisa superinteressante que eles tem lá é o SP500 Buy Write index (BXM), um índice que acompanha a performance de uma estratégia de LC nas ações do SP500. O BXM é um índice de retorno passivo que se baseia:

1) Compra do Indice SP500
2) Vender (lançar) a mais próxima opção do indice SP500 , com um preço de exercício logo acima do indice (a 1ª opção OTM), um mês antes do vencimento
3) A operação é levada até o vencimento e um novo LC é feito e se reinicia o ciclo

Em 2004 Ibbotson e associados fez um estudo avaliando a estratégia de investimento de lançamento cobert do BXM no perído de Junho/1988 até março/2004. Que resultados ele encontrou?

- Um bom retorno ajustado para o risco do BXM
- Retorno anual de 12,39% do BXM vs 12,2% do SP500
- O BXM teve 2/3 da volatilidade do SP500
- O premio médio mensal foi de 1,69%

Estudo de Ibbotson: http://www.cboe.com/micro/bxm/IbbotsonAug30final.pdf







Em 2006 Callan e Associados publicaram um novo estudo sobre o BXM com uma análise da perforance de desde Junho/1988 até Agosto/2006. Resultados:

- BXM gerou retornos ajustados para o risco superiores neste período de 18 anos, gerando um retorno comparado ao do SP500 com 2/3 do risco
- Retorno anual do BXM foi de 11,77% vs 11,67% do SP500
- Desvio padrão de 9,29% vs 13,89% do SP500
- O BXM rendeu menos que o SP500 em mercados em alta e rendeu mais que o SP500 em mercados em baixa, devido ao prêmio das opções
- O BXM gerou um padrão de retorno diferente do SP500, oferecendo uma fonte de potencial diversificação. A adição do BXM à um portfolio diversificado gerou melhora significante na performance ajustada ao risco.

Estudo de Callan: http://www.cboe.com/micro/bxm/Callan_CBOE.pdf






Detalhe importante: O BXM é um indice passivo e como tal não leva em conta custos e impostos. Ou seja quem for tentar replicar o BXM vai ter uma performance menor devido aos custos e impostos.

Devido aos últimos tempos de crise o BXM vem rendendo melhor que o SP500.



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Lançamento Coberto

O Lançamento Coberto (LC) ou venda coberta (em ingles conhecido como Covered Calls ou Buy Write) resumidamente é uma estratégia de investimento que combina ações e opções em que voce compra uma ação (ou um índice) e ao mesmo tempo vende o mesmo número de opções de compra (calls), geralmente OTM (Out of the money - fora do dinheiro, ou seja em um strike acima da cotação atual). Nesta estratégia se ganha o prêmio da venda da opção, mas se houver uma subida forte da ação acima do strike voce vai ter de entregar suas ações ou rolar para outra série eventualmente tendo de colocar mais dinheiro. No Brasil estas estratégias são geralmente feitas com ações da Petrobras ou Vale.

Exemplo - Compra-se 1000 ações da Petrobrás a R$ 26,5 - R$ 26.500
                 Vende-se 1000 opções da Petrobras na série K com Strike 28 - PETRK28 a R$ 0,92 - R$ 920

O prêmio da opção de R$ 920,00 voce já ganhou (só precisa pagar IR de 15%). Se a Petrobras subir acima de 28 voce será exercido (é obrigado a vender suas ações a 28,00). Se a Petrobras não passar de 28 voce continua com suas ações.

O prêmio das opções corresponde a um lucro de 3,47% (descontado IR 2,95%). Se for ao exercício seu retorno será de 9,13%, fora IR e taxas. Contudo se exercido terá de recomprar as ações a preço de mercado (mais caras do que voce vendeu) e recomeçar todo o processo. Obviamente se voce vai fazer novo lançamento coberto é mais interessante rolar para outra série.

Quais são as vantagens e desvantagens de fazer lançamento coberto?

Vantagens:

- Voce ganha em mercado lateral e se houver pequenas quedas
- Voce perde menos se houver quedas fortes em relação ao Buy and Hold
- Voce pode usar os prêmios para eventualmente comprar mais ações aumentando sua carteira

Desvantagens:

- Estratégia mais complexa que buy and hold - precisa de um mínimo de estudo, ler alguns livros
- Voce limita seu lucro
- Voce perde as grandes subidas, ou seja em um mercado bull voce estaria melhor no simples buy and hold
- Em uma queda forte voce tambem perde muito dinheiro
- Voce tem mais despesas- mais corretagens, mais taxas
- Opções sempre paga IR - Não há isençao de 20K

Muitos advogam o Lançamento coberto como a melhor estratégia. Certamente é uma estratégia interessante. Mas quais são os riscos que geralmente não são informados pelos "experts"?

Quem faz LC geralmente concentra muito sua carteira. A maioria faz uma carteira com Petrobras e Vale ou apenas com uma das duas, aumentando muito o risco da carteira. Na venda coberta também existem 2 problemas. Voce acaba vendendo suas ações que estão indo bem e portanto subindo, enquanto mantem as ações que estão indo mal e portanto caindo. Um investidor inteligente geralmente faz exatamente o contrário. Compra mais ações que tem boas perspectivas e estão subindo e vende ações que tem perspectivas ruins e que estão caindo.

Outro fator é que ao fazer um lançamento coberto na verdade voce está fazendo uma aposta contra seu próprio portfolio. Geralmente se compra ações porque se espera que elas tenham uma forte alta e voce ao fazer LC está justamente apostando que não haverá uma forte alta. Pense bem:

- Se voce acha que a ação vai subir forte não é bom fazer o LC
- Se voce acha que não vai haver uma alta forte é bem mais interessante comprar outra ação que tenha perspectivas melhores.
- Se voce acha que a ação vai cair é melhor vender a ação do que fazer um lançamento coberto e continuar com a ação.

Ou seja, em nenhum cenário o LC é a melhor opção. Mas, como obviamente não se sabe o futuro o LC eventualmente aparece como uma forma de tentar fazer um hedge e ganhar em vários cenários. Mas geralmente não é a melhor opção. Mas mesmo não tendo um potencial de ganhos tão grande quanto outras estratégias o LC pode gerar bons resultados, com rendimentos interessantes,principalmente em uma carteira grande.

Um último ponto, mas não menos importante, é a questão de custos. Em um portfolio pequeno o LC é inviável e vai ser engolido pelos custos. É preciso um portfolio relativamente grande para que os custos maiores de corretagem e estar sempre pagando IR compensem.

Para quem quiser saber mais a melhor indicação é o livro do Bastter- Investindo em Opções.

No proximo artigo estarei trazendo um estudo comparando o LC com o Buy and Hold.

domingo, 12 de setembro de 2010

José Sérgio Gabrielli e o Pico do Petroleo





José Sérgio Gabrielli, presidente (CEO) da Petrobrás deu uma apresentação em dezembro de 2009, na qual mostrava a produção mundial de Petróleo fazendo pico em 2010. Nesta apresentação ele mostra que os novos projetos de extração de Petróleo conhecidos atualmente são incapazes de compensar o declínio da produção mundial.

No Slide acima, retirado da apresentação da Petrobras, podemos ver a prudução de Petróleo vs a demanda.

Segundo Gabrielli o mundo precisa descobrir o equivalente a uma nova Arábia Saudita a cada 2 a 3 anos para manter a produção de Petróleo nos níveis atuais.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Performance Agosto/2010

Vejamos a alocação no inicio do mês, rentabilidade no mês e alocação no fim do mês:



Jul/2010
Rentabilidade
Ago/2010
FII
30,24%
2,36%
30,14%
Ouro
7,62%
1,97%
7,62%
DI
29,56%
0,848%
30,61%
Ações
32,56%
-5,93%
31,36%
Caixa
0,02%
0,00%
0,27%




Total

-0,74%



Vamos detalhar agora cada classe de ativos, junto com um benchmark.


Renda Fixa

- Fundo DI: 0,848%

- LFT 7/3/2012: 0,86%

O rendimento do fundo DI correspondeu a 98% da LFT.


Ouro: 1,97%

O ouro vem se mantendo há algum tempo na mesma faixa de preço. Ainda me parece muito caro e acabei não comprando mais apesar de estar com uma alocação abaixo do meu target (10%).


Fundos de Investimento Imobiliário (FII)


EURO11
19,69%
-0,78%
FPAB11
19,78%
3,35%
FFCI11
17,76%
-1,45%
FMOF11
19,92%
5,78%
FLMA11
15,28%
1,74%
HCRI11B
7,57%
0%







Carteira
1,6%

Rendimentos
0,76%

Total
2,36%




Ações




PETR419,62%-5,75
VALE513,90%-2,91
USIM37,81%-9,53
GGBR37,27%-5,85
CSNA34,52%-8,00
BBDC36,82%-4,27
BBAS32,38%-6,1
ITUB34,85%-2,4
ITSA33,12%-2,66
BVMF33,21%-0,16
CIEL31,26%-6,25
ELPL611,07%-0,36
CCRO33,37%0,6
VIVO43,54%-10,31
DASA31,57%8,81
CYRE33,66%-11,94



Carteira
-5,93



IBOV
-3,51
BOVA11
-3,51
PIBB11
-3,97


Perdendo feio pro IBOV, principalmente devido a novela da capitalização da Petrobrás e da forte desvalorização das siderurgicas e da Vivo (devido a fusão com a Telesp). Além disto a Cyrela devolveu boa parte da alta do mês passado. Destaque para a Dasa que vem crescendo através de aquisições, mas a participação no portfolio é pequena.

Chama muito a atenção a boa performance do BOVA11 em relação ao IBOV. Qual seria o motivo para a diferença tão grande quando a diferença deveria ser mínima ou inexistente??


PS.: Houve um erro e a performance do BOVA11 e do IBOV foram a mesma!! Corrigido tambem a performance do PIBB11

Investimentos

Este mês investi um pouco no DI e comprei mais ações da Petrobras - a R$ 26,00 está um preço interessante; e uma nova aquisição ao portfolio - Gafisa (GFSA3) a R$ 11,96.

Vamos ver como vai andar esta capitalização da Petrobrás.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O papel da Análise Fundamentalista

Gosto de levar uma idéia ao seu extremo para provar a sua veracidade; mas obviamente isto as vezes da margem para interpretações erroneas. Nos últimos posts fiz questão de frisar como a análise fundamentalista está sujeita a falhas, quando ela tenta prever o preço futuro de uma ação, qual seria o seu "preço justo" e quanto seria a margem de segurança do investidor. Ou seja a análise fundamentalista não consegue dizer realmente qual empresa está barata e qual empresa está cara. Ela faz apenas uma análise em relação ao resultado passado da empresa (que não interessa ao investidor). Mas a análise fundamentalista continua sendo muito importante apesar de não ter nenhum poder preditivo.

Então qual o papel da análise fundamentalista?? Bem, ela nos ajuda a conhecer muitos aspectos qualitativos da empresa. Ao analisar os balanços e relatórios podemos conchecer:

- O setor em que a empresa trabalha
- As perspectivas para o setor e para a empresa
- Os concorrentes
- O valor da marca da empresa
- As vantagens do negócio frente aos rivais
- Se há algum tipo de monopólio
- O estilo de gestão da empresa
- A preocupação com o acionista minoritário
- Os planos futuros da empresa
- Como ela lida com as crises econômicas e financeiras
- Se o capital está sendo investido da melhor maneira possível ou não 

Estes e vários outros aspectos vão ajudar a compreender quais são as melhores empresas para investirmos. Ou seja, apesar da análise fundamentalista não poder predizer o futuro de uma empresa e não ser garantia de nada, o conhecimento do DNA de uma empresa é essencial para um investidor de longo prazo, para que ele faça um investimento consciente. Ou seja a análise fundamentalista é importante e essencial, mas não para o que muitos "fundamentalistas" acreditam. Ela lhe ajuda a escolher as melhores empresas, mas não garante resultados.

E como o futuro é imprevisível o investidor defensivo vai tentar diversificar o máximo possível, mas não uma diversificação burra, diversificar por diversificar, em qualquer empresa, mas usando uma diversificação "fundamentada", diversificando entre várias empresas excelentes. Neste aspecto a análise fundamentalista vai ajudar a separar o joio do trigo. A idéia aqui é mais ou menos a seguinte: se existem várias empresas boas por que se prender a apenas uma ou poucas? Por exemplo os maiores e melhores bancos do Brasil são o Itau, Bradesco e Banco do Brasil. Por que investir em apenas um se voce pode investir nos três?? Qualquer um destes tem uma chance semelhante de ser o melhor e de ter lucros excepcionais, então é mais sensato dividir o capital entre eles. Ao diversificar voce reduz sua chance de erro e aumenta sua chance de acerto. Obviamente existem alguns limites para a diversificação que seriam principalmente os custos e sua capacidade de acompanhar muitos ativos. 

sábado, 28 de agosto de 2010

Se nem a analise técnica ou fundamentalista funcionam o que fazer??

Neste blog venho ao longo do tempo fazendo em parte um papel semelhante ao de Nietzsche (não que eu esteja me comparando a este gênio...), filosofando com o martelo, ou melhor investindo com o martelo, descontruindo as ilusões que existem no mundo dos investimentos em ações, e mostrando um pouco a dura realidade do mercado.

Infelizmente a mídia brasileira de finanças está na sua grande maioria totalmente iludida. Uns iludidos, outros se iludindo e outros ainda por má fé, ou ignorancia, iludindo os outros. Por um lado a grande maioria dos investidores tenta se basear pela análise técnica, em uma ilusão de que os padrões gráficos do passado vão se repetir no futuro. Em alguns posts eu tentei mostrar e apresentar evidências científicas que comprovam que a análise técnica não funciona.

Se voce não leu ainda leia:

- A ilusão do grafista
- Análise Técnica: Sorte ou realidade?

Mas apesar de não existir base científica nenhuma para a análise técnica, não só os analistas e corretores não explicam isto para os novos investidores, mas pelo contrário, vivem a dar cursos, consultorias e vender livros sobre a análise técnica. Apenas pare um segundo e reflita: Se a análise técnica funcionasse, por que o analista então viveria de dar cursos e de fazer palestras, em vez de ganhar dinheiro na bolsa com os seus trades??? Afinal, se alguem soubesse uma maneira de ganhar dinheiro fácil na bolsa, com certeza ela não ensinaria a ninguém. Apenas pegaria um emprestimo em um banco e seria milionário em pouco tempo.

Em um número infinitamente menor estão os adeptos da análise fundamentalista. Como expliquei em alguns posts como A dificil arte da análise fundamentalista, O que a análise fundamentalista não mostra, e no meu último post Por que a análise fundamentalista muitas vezes não funciona, a análise fundamentalista é importante e é essencial analisar os balanços de uma empresa antes de investir nela; mas o que a maioria acaba esquecendo é que os balanços da empresa refletem apenas o passado da empresa e não são nenhuma garantia de performance futura. Além disto, no cálculo do preço justo de uma ação o analista tem que presupor diversas variáveis como taxa selic, taxa de crescimento doslucros da empresa, entre várias outras. E eventualmente estas previsões podem se mostrar totalmente erradas. Ou seja, a análise fundamentalista pode se mostrar totalmente furada. Obviamente voce deve usar a análise fundamentalista mas lembrar que ela é apenas uma projeção que pode ou não se concretizar. Ou seja a análise fundamentalista não garante nada. Por outro lado uma empresa que está com balanço péssimo pode fazer um turn around e se mostrar um excelente negócio.

E agora??? O que fazer?? Agora voce deve estar perdido e confuso. Se a análise técnica não funciona e também a análise fundamentalista muitas vezes não funciona, o que o investidor deve fazer? A única coisa a fazer é encarar a realidade. E a realidade é dura e é a seguinte:

- O mercado de ações e a economia é imprevisível
- Existe o risco de voce perder muito dinheiro e não recuperar nunca mais.
- Aquela empresa com balanço excelente pode quebrar amanhã (já ouviu falar da Enrom?)
- Sua análise técnica pode e vai dar errado, especialmente quando voce estiver apostando muito dinheiro
- Resumindo, ninguem sabe de nada, incluindo corretores e economistas.
- Economistas só tentam dar uma explicação para o que já aconteceu, não tendo nenhuma certeza sobre o que vai acontecer.
- Todas as previsões são furadas
- O Risco é real.

Os traders profissionais sabem disto. E na verdade eles não são investidores mas são apostadores profissionais. Eles ganham com a flutuação do mercado. Eles fazem uma aposta por exemplo que uma ação vai subir ou cair e então fazem uma trade e ficam de olho. Ao mínimo sinal de que o mercado esta indo pro outro lado eles vendem (conhecido como Stop). A idéia é quando ganhar, ganhar muito e quando perder, perder pouco. E contar com a sorte. Ou seja é tudo um chute. Se der certo, OK. Quando a economia vai bem e o mercado está em bull market o cara ganha várias e acha que a análise técnica funciona e se acha o máximo; quando na verdade até um macaco ganharia dinheiro em um bull market, aleatoriamente.

Então antes de voce apostar seu dinheiro naquele trade baseado nos gráficos, ou de entrar 100% em uma empresa que está "baratíssima" pela análise fundamentalista, abre o olho. E a única solução para a incerteza é a diversificação, tanto entre várias classes de ativos não correlacionados (asset allocation) quanto dentro de uma classe de ativos, diversificando entre várias ações por exemplo.

A verdade é dura e poucos conseguem aceitar a incerteza inerente ao mercado.

Se quiser ler mais sobre isto:

Manejo do Risco: Asset Allocation

domingo, 15 de agosto de 2010

Por que a análise fundamentalista muitas vezes não funciona ou Enganado pelo P/L

Eu já fui um adepto da análise fundamentalista e um díscipulo do Value investing, analisando balanços e múltiplos fundamentalistas como o P/L, P/Vpa, ROE e outros. Hoje não sou mais. Obviamente todos estes fatores são importantes e devem ser analisados por um investidor de longo prazo, antes de se tornar sócio de uma empresa, mas se basear exclusivamente neles é muito simplista e frequentemente conduz a muitos erros, e isto por 3 motivos básicos:

1) Como coloquei neste post a análise fundamentalista ao calcular o preço justo de uma empresa usa diversas estimativas futuras de lucro da empresa, de taxa de crecimento e da taxa selic que podem se mostrar totalmente erradas, já que o futuro é imprevisível.

2) Como comentei neste outro post as informações contidas nos balanços já estão na sua maioria precificadas nos preços das ações, devido a relativa eficiência do mercado, especialmente no caso das blue chips.

3) Por que estas informações dos balanços refletem os resultados passados da empresa, enquanto que o que vai levar a uma valorização ou queda das ações serão os resultados futuros da empresa que são até o momento que voce compra uma incognita.


De modo que o P/L representa muito mais o grau de confiança do mercado nos lucros futuros de uma empresa do que "quantos anos vai demorar para voce reaver seu investimento" como os fundamentalistas pregam. Assim é tolice escolher apenas empresas com P/L baixo para investir, pois 
você estará escolhendo apenas aquelas empresas que tem as piores perspectivas no momento, que o mercado espera que tenha lucros piores. Obviamente as expectativas do mercado podem estar erradas e a empresa pode ter lucros maiores no futuro, então voce vai ganhar bastante dinheiro, mas isto terá sido apenas um golpe de sorte.

Outra bobagem é achar que o P/L está alto e esperar o P/L baixar para investir na empresa quando ela estiver mais barata. Vejam um exemplo recente verídico, no caso com a Vale (VALE5):

6/7/2010 Vale5 - Cotação: 37,95 - P/L 20,4

O fudamentalista acredita que o P/L está muito alto e ele vai esperar o P/L baixar antes de comprar a Vale. Vejam o que acontece:

30/07/2010 Vale5 - Cotação: 42,67 - P/L 15,11

Pronto, agora que o P/L está baixo ele resolve comprar....mas, espere um pouco....a cotação está mais cara...e o nosso futuro Buffet quebrou a cara. O que aconteceu?? Simples, saiu um novo balanço em que os lucros da vale vieram bem maiores. O mercado estava com um P/L alto já esperando que a vale tivesse um lucro bom. E o nosso investidor fundamentalista deixou de comprar quando a Vale estava em R$ 37,95 e vai comprar agora por R$ 42,67, 12% mais caro. Obviamente as expectativas do mercado representadas pelo P/L poderiam estar erradas, e o lucro da vale vir muito baixo; nem sempre as expectativas do mercado estão corretas. Mas o ponto que gostaria de destacar é que não da para se basear no P/L para guiar a sua compra. O nosso futuro Buffet aprendeu a duras penas que P/L é uma coisa e cotação da ação é outra.

Conclusão: Não dá para dirirgir para frente olhando pelo retrovisor.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Retrospectiva Julho / 2010

Vejamos a alocação no inicio do mês, rentabilidade no mês e alocação no fim do mês:


Jun/2010
Rentabilidade
Jul/2010
FII
30,86%
3,95%
30,24%
Ouro
8,35%
-3,91%
7,62%
DI
29,46%
0,82%
29,56%
Ações
31,29%
9,56%
32,56%
Caixa
0,05%
0,00%
0,02%
Total
4,16%


Vamos detalhar agora cada classe de ativos, junto com um benchmark.


Renda Fixa

- Fundo DI: 0,82%

- LFT 7/3/2012: 0,83%

O rendimento do DI aumentou em relação ao mês anterior (0,79%), com o aumento da taxa de juros. O rendimento do fundo DI vem se mantendo muito próximo da LFT, com a vantagem da liquidez diária. A desvantagem é a tributação a cada 6 meses.


Ouro: - 3,91%

O ouro se desvalorizou um pouco com a maior estabilidade do mercado. Contudo, ainda me parece muito caro e acabei não comprando mais apesar de estar com uma alocação abaixo do meu target (10%).


Fundos de Investimento Imobiliário (FII)


EURO11
19,65%
3,83%
FPAB11
19,67%
6,22%
FFCI11
18,17%
3,76%
FMOF11
18,97%
-3,20%
FLMA11
15,50%
3,60%
HCRI11B
7,75%
-0,01%







Carteira
3,18%

Rendimentos
0,78%

Total
3,95%



Novamente os FII vem rendendo bastante, o equivalente a 475% do CDI.


Ações





Jul/2010
PETR4 19,09% 3,69
VALE5 14,47% 12,56
USIM3 8,47% 7,59
GGBR3 7,95% 6,96
CSNA3 5,00% 11,18
BBDC3 6,90% 22,04
BBAS3 2,49% 23,89
ITUB3 4,85% 17,53
ITSA3 3,12% 12,72
BVMF3 3,31% 11,64
CIEL3 1,29% 0,00
ELPL6 10,93% 2,89
CCRO3 3,26% 7,17
VIVO4 3,65% 0,00
DASA3 1,36% -0,47
CYRE3 3,86% 27,06



Carteira
9,56



IBOV
10,8
BOVA11
10,77
PIBB11
11,55

Minha carteira apesar de ter as ações que mais valorizaram no mês acabou ficando abaixo do IBOV devido a estar muito concentrada em petrobrás. De qualquer modo não dá para reclamar do resultado da carteira de 9,56%. Minha meta é assim que possível aumentar a diversificação nas ações para pelo menos 20 empresas e diminuir o peso da Petrobrás, sem precisar vender ações.
O destaque de rendimento foi para as ações da Cyrela, maior alta do IBOV, e para o Bradesco e Banco do Brasil. 




Portfolio: 4,16%

O desempenho do portfolio foi muito bom, principalmente devido ao desempenho da bolsa e dos FII, equivalente a 500% do CDI.

Este mês destinei todos os meus novos investimentos e os rendimentos dos FII para o fundo DI, fazendo com que a alocação final do DI aumentasse discretamente.
 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Reflexões sobre a inflação, ouro e papel moeda

No último post destacamos alguns conceitos muito importantes:

1° ) A inflação é resultado da expansão da base monetária sem um correspondente aumento da economia.

2°) O aumento dos preços dos produtos pode ocorrer por outros motivos não relacionados com a inflação como alterações na lei da oferta e procura; e pela melhora da qualidade dos produtos e serviços.

Assim chegamos a conclusão no último post que é difícil ao analisar exclusivamente os índices de preço determinar o quanto deste aumento dos preços é decorrente de inflação e o quanto decorre de outros fatores como o aumento na qualidade dos produtos e serviços, ou de fatores ligados a lei da oferta e demanda. Assim é necessário sempre avaliar fatores qualitativos em conjunto com a análise bruta e "simples" dos índices de preço.

Agora gostaria de analisar um outro lado da moeda. Ao analisarmos o aumento da base monetária com o passar do tempo temos a impressão que houve uma grande inflação em um determinado período, pois com o aumento da quantidade de dinheiro disponível haveria uma diminuição no valor do dinheiro e "inflação". Por que este raciocínio é simplista e errôneo? Por que tem havido constantemente com o passar do tempo uma necessidade de expansão da base monetária. Ou seja, uma parte da expansão monetária é necessária. Por que?? Basicamente devido ao crescimento populacional e a expansão da economia. A população cresce. Mais pessoas trabalham e geram riquezas que antes não existiam. Onde antes haviam desertos se constroem cidades. O homem explora a terra e descobre riquezas, ouro, pedras preciosas, petroleo. Inventam-se novos produtos. Com a bioteconologia, onde em um campo antes se produzia uma quantidade X de alimentos hoje se produz no mesmo local 2 vezes mais. E como o dinheiro é um meio de troca o aumento do número de pessoas, produtos e serviços precisa ser acompanhado por uma expansão da base monetária, ou as pessoas teriam que começar a praticar escambo por falta de papel moeda.

É também por este motivo que o uso do ouro como moeda foi abandonado com o tempo, pois o ouro é raro e sua exploração é demorada e inelástica, enquanto que o crescimento populacional e da economia na história humana tem sido muito forte, e as pessoas preferiram reservar o ouro, que é um produto "raro" no mundo, para a produção de jóias do que para usar como moeda. Ou seja, é impossível hoje que se volte ao tempo em que se usava exclusivamente ouro como moeda corrente. Na verdade devido a raridade do ouro nunca se usou exclusivamente ouro como moeda, mas se usava vários outros metais mais abundantes como prata e cobre. Ou seja não existe ouro suficiente para servir como meio de troca entre as pessoas hoje para o enorme número de produtos e serviços que existem, então vamos ter que sempre usar algum outro tipo de moeda, seja papel moeda, seja digital (cartão de credito / débito / transferencias). Se em um mundo bizarro as moedas perdessem valor e se começasse a usar ouro simplesmente as pessoas inventariam uma outra moeda imediatamente ou teriam que fazer escambo.

Concluimos então que não da para analisar a inflação em um período ao analisar isoladamente apenas a expansão da base monetária. Precisamos analisar a expansão da base monetária em conjunto com a expansão da economia. Assim a inflação não é também apenas expansão da base monetária. Pode haver expansão da base monetária sem inflação. Voltando a nossa definição, o fenômeno da inflação seria uma expansão da base monetária sem uma correspondente expansão da economia. Como a expansão da economia é algo dificil de prever e só analisamos melhor ao olhar para o passado, a expansão da base monetária pelos bancos centrais é algo muito subjetivo e eventualmente os governos podem "errar a mão", intencionalmente ou não, e expandir demais a base monetária, acima do crescimento real da economia, gerando inflação.