terça-feira, 28 de setembro de 2010

Lançamento Coberto

O Lançamento Coberto (LC) ou venda coberta (em ingles conhecido como Covered Calls ou Buy Write) resumidamente é uma estratégia de investimento que combina ações e opções em que voce compra uma ação (ou um índice) e ao mesmo tempo vende o mesmo número de opções de compra (calls), geralmente OTM (Out of the money - fora do dinheiro, ou seja em um strike acima da cotação atual). Nesta estratégia se ganha o prêmio da venda da opção, mas se houver uma subida forte da ação acima do strike voce vai ter de entregar suas ações ou rolar para outra série eventualmente tendo de colocar mais dinheiro. No Brasil estas estratégias são geralmente feitas com ações da Petrobras ou Vale.

Exemplo - Compra-se 1000 ações da Petrobrás a R$ 26,5 - R$ 26.500
                 Vende-se 1000 opções da Petrobras na série K com Strike 28 - PETRK28 a R$ 0,92 - R$ 920

O prêmio da opção de R$ 920,00 voce já ganhou (só precisa pagar IR de 15%). Se a Petrobras subir acima de 28 voce será exercido (é obrigado a vender suas ações a 28,00). Se a Petrobras não passar de 28 voce continua com suas ações.

O prêmio das opções corresponde a um lucro de 3,47% (descontado IR 2,95%). Se for ao exercício seu retorno será de 9,13%, fora IR e taxas. Contudo se exercido terá de recomprar as ações a preço de mercado (mais caras do que voce vendeu) e recomeçar todo o processo. Obviamente se voce vai fazer novo lançamento coberto é mais interessante rolar para outra série.

Quais são as vantagens e desvantagens de fazer lançamento coberto?

Vantagens:

- Voce ganha em mercado lateral e se houver pequenas quedas
- Voce perde menos se houver quedas fortes em relação ao Buy and Hold
- Voce pode usar os prêmios para eventualmente comprar mais ações aumentando sua carteira

Desvantagens:

- Estratégia mais complexa que buy and hold - precisa de um mínimo de estudo, ler alguns livros
- Voce limita seu lucro
- Voce perde as grandes subidas, ou seja em um mercado bull voce estaria melhor no simples buy and hold
- Em uma queda forte voce tambem perde muito dinheiro
- Voce tem mais despesas- mais corretagens, mais taxas
- Opções sempre paga IR - Não há isençao de 20K

Muitos advogam o Lançamento coberto como a melhor estratégia. Certamente é uma estratégia interessante. Mas quais são os riscos que geralmente não são informados pelos "experts"?

Quem faz LC geralmente concentra muito sua carteira. A maioria faz uma carteira com Petrobras e Vale ou apenas com uma das duas, aumentando muito o risco da carteira. Na venda coberta também existem 2 problemas. Voce acaba vendendo suas ações que estão indo bem e portanto subindo, enquanto mantem as ações que estão indo mal e portanto caindo. Um investidor inteligente geralmente faz exatamente o contrário. Compra mais ações que tem boas perspectivas e estão subindo e vende ações que tem perspectivas ruins e que estão caindo.

Outro fator é que ao fazer um lançamento coberto na verdade voce está fazendo uma aposta contra seu próprio portfolio. Geralmente se compra ações porque se espera que elas tenham uma forte alta e voce ao fazer LC está justamente apostando que não haverá uma forte alta. Pense bem:

- Se voce acha que a ação vai subir forte não é bom fazer o LC
- Se voce acha que não vai haver uma alta forte é bem mais interessante comprar outra ação que tenha perspectivas melhores.
- Se voce acha que a ação vai cair é melhor vender a ação do que fazer um lançamento coberto e continuar com a ação.

Ou seja, em nenhum cenário o LC é a melhor opção. Mas, como obviamente não se sabe o futuro o LC eventualmente aparece como uma forma de tentar fazer um hedge e ganhar em vários cenários. Mas geralmente não é a melhor opção. Mas mesmo não tendo um potencial de ganhos tão grande quanto outras estratégias o LC pode gerar bons resultados, com rendimentos interessantes,principalmente em uma carteira grande.

Um último ponto, mas não menos importante, é a questão de custos. Em um portfolio pequeno o LC é inviável e vai ser engolido pelos custos. É preciso um portfolio relativamente grande para que os custos maiores de corretagem e estar sempre pagando IR compensem.

Para quem quiser saber mais a melhor indicação é o livro do Bastter- Investindo em Opções.

No proximo artigo estarei trazendo um estudo comparando o LC com o Buy and Hold.

domingo, 12 de setembro de 2010

José Sérgio Gabrielli e o Pico do Petroleo





José Sérgio Gabrielli, presidente (CEO) da Petrobrás deu uma apresentação em dezembro de 2009, na qual mostrava a produção mundial de Petróleo fazendo pico em 2010. Nesta apresentação ele mostra que os novos projetos de extração de Petróleo conhecidos atualmente são incapazes de compensar o declínio da produção mundial.

No Slide acima, retirado da apresentação da Petrobras, podemos ver a prudução de Petróleo vs a demanda.

Segundo Gabrielli o mundo precisa descobrir o equivalente a uma nova Arábia Saudita a cada 2 a 3 anos para manter a produção de Petróleo nos níveis atuais.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Performance Agosto/2010

Vejamos a alocação no inicio do mês, rentabilidade no mês e alocação no fim do mês:



Jul/2010
Rentabilidade
Ago/2010
FII
30,24%
2,36%
30,14%
Ouro
7,62%
1,97%
7,62%
DI
29,56%
0,848%
30,61%
Ações
32,56%
-5,93%
31,36%
Caixa
0,02%
0,00%
0,27%




Total

-0,74%



Vamos detalhar agora cada classe de ativos, junto com um benchmark.


Renda Fixa

- Fundo DI: 0,848%

- LFT 7/3/2012: 0,86%

O rendimento do fundo DI correspondeu a 98% da LFT.


Ouro: 1,97%

O ouro vem se mantendo há algum tempo na mesma faixa de preço. Ainda me parece muito caro e acabei não comprando mais apesar de estar com uma alocação abaixo do meu target (10%).


Fundos de Investimento Imobiliário (FII)


EURO11
19,69%
-0,78%
FPAB11
19,78%
3,35%
FFCI11
17,76%
-1,45%
FMOF11
19,92%
5,78%
FLMA11
15,28%
1,74%
HCRI11B
7,57%
0%







Carteira
1,6%

Rendimentos
0,76%

Total
2,36%




Ações




PETR419,62%-5,75
VALE513,90%-2,91
USIM37,81%-9,53
GGBR37,27%-5,85
CSNA34,52%-8,00
BBDC36,82%-4,27
BBAS32,38%-6,1
ITUB34,85%-2,4
ITSA33,12%-2,66
BVMF33,21%-0,16
CIEL31,26%-6,25
ELPL611,07%-0,36
CCRO33,37%0,6
VIVO43,54%-10,31
DASA31,57%8,81
CYRE33,66%-11,94



Carteira
-5,93



IBOV
-3,51
BOVA11
-3,51
PIBB11
-3,97


Perdendo feio pro IBOV, principalmente devido a novela da capitalização da Petrobrás e da forte desvalorização das siderurgicas e da Vivo (devido a fusão com a Telesp). Além disto a Cyrela devolveu boa parte da alta do mês passado. Destaque para a Dasa que vem crescendo através de aquisições, mas a participação no portfolio é pequena.

Chama muito a atenção a boa performance do BOVA11 em relação ao IBOV. Qual seria o motivo para a diferença tão grande quando a diferença deveria ser mínima ou inexistente??


PS.: Houve um erro e a performance do BOVA11 e do IBOV foram a mesma!! Corrigido tambem a performance do PIBB11

Investimentos

Este mês investi um pouco no DI e comprei mais ações da Petrobras - a R$ 26,00 está um preço interessante; e uma nova aquisição ao portfolio - Gafisa (GFSA3) a R$ 11,96.

Vamos ver como vai andar esta capitalização da Petrobrás.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O papel da Análise Fundamentalista

Gosto de levar uma idéia ao seu extremo para provar a sua veracidade; mas obviamente isto as vezes da margem para interpretações erroneas. Nos últimos posts fiz questão de frisar como a análise fundamentalista está sujeita a falhas, quando ela tenta prever o preço futuro de uma ação, qual seria o seu "preço justo" e quanto seria a margem de segurança do investidor. Ou seja a análise fundamentalista não consegue dizer realmente qual empresa está barata e qual empresa está cara. Ela faz apenas uma análise em relação ao resultado passado da empresa (que não interessa ao investidor). Mas a análise fundamentalista continua sendo muito importante apesar de não ter nenhum poder preditivo.

Então qual o papel da análise fundamentalista?? Bem, ela nos ajuda a conhecer muitos aspectos qualitativos da empresa. Ao analisar os balanços e relatórios podemos conchecer:

- O setor em que a empresa trabalha
- As perspectivas para o setor e para a empresa
- Os concorrentes
- O valor da marca da empresa
- As vantagens do negócio frente aos rivais
- Se há algum tipo de monopólio
- O estilo de gestão da empresa
- A preocupação com o acionista minoritário
- Os planos futuros da empresa
- Como ela lida com as crises econômicas e financeiras
- Se o capital está sendo investido da melhor maneira possível ou não 

Estes e vários outros aspectos vão ajudar a compreender quais são as melhores empresas para investirmos. Ou seja, apesar da análise fundamentalista não poder predizer o futuro de uma empresa e não ser garantia de nada, o conhecimento do DNA de uma empresa é essencial para um investidor de longo prazo, para que ele faça um investimento consciente. Ou seja a análise fundamentalista é importante e essencial, mas não para o que muitos "fundamentalistas" acreditam. Ela lhe ajuda a escolher as melhores empresas, mas não garante resultados.

E como o futuro é imprevisível o investidor defensivo vai tentar diversificar o máximo possível, mas não uma diversificação burra, diversificar por diversificar, em qualquer empresa, mas usando uma diversificação "fundamentada", diversificando entre várias empresas excelentes. Neste aspecto a análise fundamentalista vai ajudar a separar o joio do trigo. A idéia aqui é mais ou menos a seguinte: se existem várias empresas boas por que se prender a apenas uma ou poucas? Por exemplo os maiores e melhores bancos do Brasil são o Itau, Bradesco e Banco do Brasil. Por que investir em apenas um se voce pode investir nos três?? Qualquer um destes tem uma chance semelhante de ser o melhor e de ter lucros excepcionais, então é mais sensato dividir o capital entre eles. Ao diversificar voce reduz sua chance de erro e aumenta sua chance de acerto. Obviamente existem alguns limites para a diversificação que seriam principalmente os custos e sua capacidade de acompanhar muitos ativos. 

sábado, 28 de agosto de 2010

Se nem a analise técnica ou fundamentalista funcionam o que fazer??

Neste blog venho ao longo do tempo fazendo em parte um papel semelhante ao de Nietzsche (não que eu esteja me comparando a este gênio...), filosofando com o martelo, ou melhor investindo com o martelo, descontruindo as ilusões que existem no mundo dos investimentos em ações, e mostrando um pouco a dura realidade do mercado.

Infelizmente a mídia brasileira de finanças está na sua grande maioria totalmente iludida. Uns iludidos, outros se iludindo e outros ainda por má fé, ou ignorancia, iludindo os outros. Por um lado a grande maioria dos investidores tenta se basear pela análise técnica, em uma ilusão de que os padrões gráficos do passado vão se repetir no futuro. Em alguns posts eu tentei mostrar e apresentar evidências científicas que comprovam que a análise técnica não funciona.

Se voce não leu ainda leia:

- A ilusão do grafista
- Análise Técnica: Sorte ou realidade?

Mas apesar de não existir base científica nenhuma para a análise técnica, não só os analistas e corretores não explicam isto para os novos investidores, mas pelo contrário, vivem a dar cursos, consultorias e vender livros sobre a análise técnica. Apenas pare um segundo e reflita: Se a análise técnica funcionasse, por que o analista então viveria de dar cursos e de fazer palestras, em vez de ganhar dinheiro na bolsa com os seus trades??? Afinal, se alguem soubesse uma maneira de ganhar dinheiro fácil na bolsa, com certeza ela não ensinaria a ninguém. Apenas pegaria um emprestimo em um banco e seria milionário em pouco tempo.

Em um número infinitamente menor estão os adeptos da análise fundamentalista. Como expliquei em alguns posts como A dificil arte da análise fundamentalista, O que a análise fundamentalista não mostra, e no meu último post Por que a análise fundamentalista muitas vezes não funciona, a análise fundamentalista é importante e é essencial analisar os balanços de uma empresa antes de investir nela; mas o que a maioria acaba esquecendo é que os balanços da empresa refletem apenas o passado da empresa e não são nenhuma garantia de performance futura. Além disto, no cálculo do preço justo de uma ação o analista tem que presupor diversas variáveis como taxa selic, taxa de crescimento doslucros da empresa, entre várias outras. E eventualmente estas previsões podem se mostrar totalmente erradas. Ou seja, a análise fundamentalista pode se mostrar totalmente furada. Obviamente voce deve usar a análise fundamentalista mas lembrar que ela é apenas uma projeção que pode ou não se concretizar. Ou seja a análise fundamentalista não garante nada. Por outro lado uma empresa que está com balanço péssimo pode fazer um turn around e se mostrar um excelente negócio.

E agora??? O que fazer?? Agora voce deve estar perdido e confuso. Se a análise técnica não funciona e também a análise fundamentalista muitas vezes não funciona, o que o investidor deve fazer? A única coisa a fazer é encarar a realidade. E a realidade é dura e é a seguinte:

- O mercado de ações e a economia é imprevisível
- Existe o risco de voce perder muito dinheiro e não recuperar nunca mais.
- Aquela empresa com balanço excelente pode quebrar amanhã (já ouviu falar da Enrom?)
- Sua análise técnica pode e vai dar errado, especialmente quando voce estiver apostando muito dinheiro
- Resumindo, ninguem sabe de nada, incluindo corretores e economistas.
- Economistas só tentam dar uma explicação para o que já aconteceu, não tendo nenhuma certeza sobre o que vai acontecer.
- Todas as previsões são furadas
- O Risco é real.

Os traders profissionais sabem disto. E na verdade eles não são investidores mas são apostadores profissionais. Eles ganham com a flutuação do mercado. Eles fazem uma aposta por exemplo que uma ação vai subir ou cair e então fazem uma trade e ficam de olho. Ao mínimo sinal de que o mercado esta indo pro outro lado eles vendem (conhecido como Stop). A idéia é quando ganhar, ganhar muito e quando perder, perder pouco. E contar com a sorte. Ou seja é tudo um chute. Se der certo, OK. Quando a economia vai bem e o mercado está em bull market o cara ganha várias e acha que a análise técnica funciona e se acha o máximo; quando na verdade até um macaco ganharia dinheiro em um bull market, aleatoriamente.

Então antes de voce apostar seu dinheiro naquele trade baseado nos gráficos, ou de entrar 100% em uma empresa que está "baratíssima" pela análise fundamentalista, abre o olho. E a única solução para a incerteza é a diversificação, tanto entre várias classes de ativos não correlacionados (asset allocation) quanto dentro de uma classe de ativos, diversificando entre várias ações por exemplo.

A verdade é dura e poucos conseguem aceitar a incerteza inerente ao mercado.

Se quiser ler mais sobre isto:

Manejo do Risco: Asset Allocation

domingo, 15 de agosto de 2010

Por que a análise fundamentalista muitas vezes não funciona ou Enganado pelo P/L

Eu já fui um adepto da análise fundamentalista e um díscipulo do Value investing, analisando balanços e múltiplos fundamentalistas como o P/L, P/Vpa, ROE e outros. Hoje não sou mais. Obviamente todos estes fatores são importantes e devem ser analisados por um investidor de longo prazo, antes de se tornar sócio de uma empresa, mas se basear exclusivamente neles é muito simplista e frequentemente conduz a muitos erros, e isto por 3 motivos básicos:

1) Como coloquei neste post a análise fundamentalista ao calcular o preço justo de uma empresa usa diversas estimativas futuras de lucro da empresa, de taxa de crecimento e da taxa selic que podem se mostrar totalmente erradas, já que o futuro é imprevisível.

2) Como comentei neste outro post as informações contidas nos balanços já estão na sua maioria precificadas nos preços das ações, devido a relativa eficiência do mercado, especialmente no caso das blue chips.

3) Por que estas informações dos balanços refletem os resultados passados da empresa, enquanto que o que vai levar a uma valorização ou queda das ações serão os resultados futuros da empresa que são até o momento que voce compra uma incognita.


De modo que o P/L representa muito mais o grau de confiança do mercado nos lucros futuros de uma empresa do que "quantos anos vai demorar para voce reaver seu investimento" como os fundamentalistas pregam. Assim é tolice escolher apenas empresas com P/L baixo para investir, pois 
você estará escolhendo apenas aquelas empresas que tem as piores perspectivas no momento, que o mercado espera que tenha lucros piores. Obviamente as expectativas do mercado podem estar erradas e a empresa pode ter lucros maiores no futuro, então voce vai ganhar bastante dinheiro, mas isto terá sido apenas um golpe de sorte.

Outra bobagem é achar que o P/L está alto e esperar o P/L baixar para investir na empresa quando ela estiver mais barata. Vejam um exemplo recente verídico, no caso com a Vale (VALE5):

6/7/2010 Vale5 - Cotação: 37,95 - P/L 20,4

O fudamentalista acredita que o P/L está muito alto e ele vai esperar o P/L baixar antes de comprar a Vale. Vejam o que acontece:

30/07/2010 Vale5 - Cotação: 42,67 - P/L 15,11

Pronto, agora que o P/L está baixo ele resolve comprar....mas, espere um pouco....a cotação está mais cara...e o nosso futuro Buffet quebrou a cara. O que aconteceu?? Simples, saiu um novo balanço em que os lucros da vale vieram bem maiores. O mercado estava com um P/L alto já esperando que a vale tivesse um lucro bom. E o nosso investidor fundamentalista deixou de comprar quando a Vale estava em R$ 37,95 e vai comprar agora por R$ 42,67, 12% mais caro. Obviamente as expectativas do mercado representadas pelo P/L poderiam estar erradas, e o lucro da vale vir muito baixo; nem sempre as expectativas do mercado estão corretas. Mas o ponto que gostaria de destacar é que não da para se basear no P/L para guiar a sua compra. O nosso futuro Buffet aprendeu a duras penas que P/L é uma coisa e cotação da ação é outra.

Conclusão: Não dá para dirirgir para frente olhando pelo retrovisor.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Retrospectiva Julho / 2010

Vejamos a alocação no inicio do mês, rentabilidade no mês e alocação no fim do mês:


Jun/2010
Rentabilidade
Jul/2010
FII
30,86%
3,95%
30,24%
Ouro
8,35%
-3,91%
7,62%
DI
29,46%
0,82%
29,56%
Ações
31,29%
9,56%
32,56%
Caixa
0,05%
0,00%
0,02%
Total
4,16%


Vamos detalhar agora cada classe de ativos, junto com um benchmark.


Renda Fixa

- Fundo DI: 0,82%

- LFT 7/3/2012: 0,83%

O rendimento do DI aumentou em relação ao mês anterior (0,79%), com o aumento da taxa de juros. O rendimento do fundo DI vem se mantendo muito próximo da LFT, com a vantagem da liquidez diária. A desvantagem é a tributação a cada 6 meses.


Ouro: - 3,91%

O ouro se desvalorizou um pouco com a maior estabilidade do mercado. Contudo, ainda me parece muito caro e acabei não comprando mais apesar de estar com uma alocação abaixo do meu target (10%).


Fundos de Investimento Imobiliário (FII)


EURO11
19,65%
3,83%
FPAB11
19,67%
6,22%
FFCI11
18,17%
3,76%
FMOF11
18,97%
-3,20%
FLMA11
15,50%
3,60%
HCRI11B
7,75%
-0,01%







Carteira
3,18%

Rendimentos
0,78%

Total
3,95%



Novamente os FII vem rendendo bastante, o equivalente a 475% do CDI.


Ações





Jul/2010
PETR4 19,09% 3,69
VALE5 14,47% 12,56
USIM3 8,47% 7,59
GGBR3 7,95% 6,96
CSNA3 5,00% 11,18
BBDC3 6,90% 22,04
BBAS3 2,49% 23,89
ITUB3 4,85% 17,53
ITSA3 3,12% 12,72
BVMF3 3,31% 11,64
CIEL3 1,29% 0,00
ELPL6 10,93% 2,89
CCRO3 3,26% 7,17
VIVO4 3,65% 0,00
DASA3 1,36% -0,47
CYRE3 3,86% 27,06



Carteira
9,56



IBOV
10,8
BOVA11
10,77
PIBB11
11,55

Minha carteira apesar de ter as ações que mais valorizaram no mês acabou ficando abaixo do IBOV devido a estar muito concentrada em petrobrás. De qualquer modo não dá para reclamar do resultado da carteira de 9,56%. Minha meta é assim que possível aumentar a diversificação nas ações para pelo menos 20 empresas e diminuir o peso da Petrobrás, sem precisar vender ações.
O destaque de rendimento foi para as ações da Cyrela, maior alta do IBOV, e para o Bradesco e Banco do Brasil. 




Portfolio: 4,16%

O desempenho do portfolio foi muito bom, principalmente devido ao desempenho da bolsa e dos FII, equivalente a 500% do CDI.

Este mês destinei todos os meus novos investimentos e os rendimentos dos FII para o fundo DI, fazendo com que a alocação final do DI aumentasse discretamente.
 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Reflexões sobre a inflação, ouro e papel moeda

No último post destacamos alguns conceitos muito importantes:

1° ) A inflação é resultado da expansão da base monetária sem um correspondente aumento da economia.

2°) O aumento dos preços dos produtos pode ocorrer por outros motivos não relacionados com a inflação como alterações na lei da oferta e procura; e pela melhora da qualidade dos produtos e serviços.

Assim chegamos a conclusão no último post que é difícil ao analisar exclusivamente os índices de preço determinar o quanto deste aumento dos preços é decorrente de inflação e o quanto decorre de outros fatores como o aumento na qualidade dos produtos e serviços, ou de fatores ligados a lei da oferta e demanda. Assim é necessário sempre avaliar fatores qualitativos em conjunto com a análise bruta e "simples" dos índices de preço.

Agora gostaria de analisar um outro lado da moeda. Ao analisarmos o aumento da base monetária com o passar do tempo temos a impressão que houve uma grande inflação em um determinado período, pois com o aumento da quantidade de dinheiro disponível haveria uma diminuição no valor do dinheiro e "inflação". Por que este raciocínio é simplista e errôneo? Por que tem havido constantemente com o passar do tempo uma necessidade de expansão da base monetária. Ou seja, uma parte da expansão monetária é necessária. Por que?? Basicamente devido ao crescimento populacional e a expansão da economia. A população cresce. Mais pessoas trabalham e geram riquezas que antes não existiam. Onde antes haviam desertos se constroem cidades. O homem explora a terra e descobre riquezas, ouro, pedras preciosas, petroleo. Inventam-se novos produtos. Com a bioteconologia, onde em um campo antes se produzia uma quantidade X de alimentos hoje se produz no mesmo local 2 vezes mais. E como o dinheiro é um meio de troca o aumento do número de pessoas, produtos e serviços precisa ser acompanhado por uma expansão da base monetária, ou as pessoas teriam que começar a praticar escambo por falta de papel moeda.

É também por este motivo que o uso do ouro como moeda foi abandonado com o tempo, pois o ouro é raro e sua exploração é demorada e inelástica, enquanto que o crescimento populacional e da economia na história humana tem sido muito forte, e as pessoas preferiram reservar o ouro, que é um produto "raro" no mundo, para a produção de jóias do que para usar como moeda. Ou seja, é impossível hoje que se volte ao tempo em que se usava exclusivamente ouro como moeda corrente. Na verdade devido a raridade do ouro nunca se usou exclusivamente ouro como moeda, mas se usava vários outros metais mais abundantes como prata e cobre. Ou seja não existe ouro suficiente para servir como meio de troca entre as pessoas hoje para o enorme número de produtos e serviços que existem, então vamos ter que sempre usar algum outro tipo de moeda, seja papel moeda, seja digital (cartão de credito / débito / transferencias). Se em um mundo bizarro as moedas perdessem valor e se começasse a usar ouro simplesmente as pessoas inventariam uma outra moeda imediatamente ou teriam que fazer escambo.

Concluimos então que não da para analisar a inflação em um período ao analisar isoladamente apenas a expansão da base monetária. Precisamos analisar a expansão da base monetária em conjunto com a expansão da economia. Assim a inflação não é também apenas expansão da base monetária. Pode haver expansão da base monetária sem inflação. Voltando a nossa definição, o fenômeno da inflação seria uma expansão da base monetária sem uma correspondente expansão da economia. Como a expansão da economia é algo dificil de prever e só analisamos melhor ao olhar para o passado, a expansão da base monetária pelos bancos centrais é algo muito subjetivo e eventualmente os governos podem "errar a mão", intencionalmente ou não, e expandir demais a base monetária, acima do crescimento real da economia, gerando inflação.

sábado, 17 de julho de 2010

Analisando índices de Inflação

Inflação não é simplesmente aumento de preços. Pode haver aumento de preços sem haver inflação. Como isto é possível?? A inflação está relacionada com a expansão da base monetária. Quando os governos expandem a base monetária sem um correspondente aumento na economia ocorre um aumento da quantidade de dinheiro disponível e consequente perda no valor da moeda, com consequente aumento dos preços dos produtos. Isto é o que chamamos de inflação. Contudo pode haver um aumento de preços por vários outros motivos não relacionados com a inflação, e muitos deles podem ser explicados pela lei da oferta e procura. Se ocorre por exemplo uma quebra na safra de algum produto e escassez do mesmo, vai haver aumento do preço do produto, mas isto não está relacionado a inflação, mas a diminuição da oferta. Se um país ou região sofre um forte crescimento populacional ocorre aumento na demanda por imóveis e consequente aumento dos preços dos imóveis, também não relacionado a inflação.

Porque é difícil avaliar os índices de inflação?? Por que os índices de inflação obviamente só avaliam as mudanças dos preços. Contudo existem vários outros fatores subjetivos pertinentes.
Exemplos:

- Melhora na qualidade do produto. Por exemplo, não da para afirmar que uma TV é mais cara hoje do que antigamente simplesmente avaliando o preço, pois estamos comparando uma TV de LCD com alta tecnologia com uma TV antiga, provavelmente menor e com muito menos recursos. Podemos usar o mesmo raciocínio ao comparar preços de carros, motos, eletrodomésticos, casas, e quase todos os produtos.

- Melhora na qualidade dos serviços: Um exemplo claro são os custos de saúde que vem crescendo bastante. Só que juntamente com isto a qualidade dos serviços de saúde tem avançado muito, tanto no diagnóstico como no tratamento de várias doenças. Então é dificil falar que houve uma “inflação”.

Basicamente se um produto é fabricado em escala industrial a tendência com o aumento da produtividade na verdade é a deflação, e não inflação. É só analisarmos por exemplo o preço de produtos como eletrodomésticos e eletrônicos. Quem gosta de gadgets sabe que é só esperar um pouco que os preços começam a cair. E temos hoje a disposição computadores com capacidade de processamento equivalente ao que antigamente só grandes centros de pesquisa tinham acesso gastando alguns milhões. Por outro lado os produtos que são finitos, como terras e imóveis vem sempre subindo de preço com o aumento na demanda relacionado com o crescimento populacional.

Então, se é verdade que tem havido um aumento do “custo de vida” em relação as gerações passadas em grande parte é por que o cidadão de classe média hoje vive muitas vezes  em condições semelhantes a que alguns reis viviam no passado. E temos a disposição excepcional tecnologia e qualidade de vida e de saúde, de maneira que a expectativa de vida vem crescendo constantemente.

Não estou falando que não existe inflação, apenas que é muito difícil avaliar a inflação acompanhando os índices de preços. O buraco é mais embaixo. No próximo artigo irei comentar um outro fator que poucos reconhecem ao analisar as taxas de inflação.