quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cenário Macroeconômico

Existem 2 estratégias de análise de investimento; a estratégia Bottom-Up e a estratégia Top-Down. Na estratégia Bottom-Up, preferida por vários investidores fundamentalistas, procura-se analisar qual é a melhor empresa para se investir baseado nos dados de balanços e análise de multiplos fundamentalistas, e comparando-se com os seus concorrentes; além da análise qualitativa de aspectos como gestão e "marca". Após escolher as melhores empresas, espera-se que elas se deem bem em diversos tipos de cenários econômicos. Já na estratégia Top-Down, o analista começa pela análise macro-econômica, analisando a economia, Pib, taxa de juros, câmbio, inflação, e comercio internacional e após a análise do cenário mais provável ele seleciona que setores dentro da economia devem performar melhor; e após isto, dentro destes setores, qual a empresa deverá se sair melhor.

Apesar de cada uma das estratégias ter suas vantagens e desvantagens acredito que a melhor seja a estratégia Top-Down. Isto porque os modelos de precificação do valor futuro das ações dependem de vários fatores macro-econômicos como a taxa de juros, câmbio (para exportadores) e os preços das matérias-primas e produtos. Vimos um importante exemplo no ano passado quando a crise econômica mundial deflagrou uma grande liquidação de ativos na bolsa, e sendo as mais afetadas as blue chips Petrobras, Vale e Siderurgicas, devido a queda no preço do Petroleo, minério de Ferro e commodities.

E qual o cenário Macro-Econômico atual? Não é dos melhores. Estamos no meio de uma grande recessão mundial em todas as principais economias mundiais, Estados Unidos, Europa e Japão; em resultado da grande diminuição do crédito mundial. Estes países enfrentam grandes deficits publicos, aumento do desemprego, aumento das falencias, diminuição da atividade econômica e das exportações / importações; deflação de preços das matérias primas e do mercado imobiliário. Em resposta a crise vemos os governos injetarem grandes quantidades de dinheiro no sistema para tentar conter a deflação e reinflar a bolha em que estavamos antes; com aumento dos riscos de inflação no futuro. Neste cenário desafiador os riscos são grandes, assim como as oportunidades. E um dos principais fatores a ditar o sucesso de um investimento será a gestão de risco.

3 comentários:

  1. Excelente texto!

    Em relação ao trecho em que você fala que os governos injetaram liquidez no mercado nesta crise, o que poderia ocasionar uma inflação no futuro...

    O que acredita que esteja ocorrendo:

    Mesmo os governos injetando liquidez ao bancos, eles não estam repassando este dinheiro como empréstimos, e por isso a inflação não tem disparado?

    Mas no momento atual não estamos vivendo uma deflação (US)?

    O que você enxerga nesta briga: inflação x deflação?

    Mesmo cursando economia, minha avaliação macroeconômica dos mercados ainda tem MUITO à melhorar.

    O texto está muito bom mesmo. Espero que possa falar mais no futuro sobre os modelos de precificação de ativos, como o Fluxo de Caixa Descontado (FDC) e o Fluxo de Dividendos Descontado (FDD).

    E perfeita a conlusão dizendo que o o sucesso nos investimentos depende bastante da gestão de risco.

    Grande Abraço!

    Henrique Carvalho

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  2. Olá Henrique,

    Certamente atualmente quem tem ganho a batalha inflação x deflação tem sido a deflação. Isto por que o volume de credito que foi destruido nesta crise foi muito maior que o volume de dinheiro injetado pelos bancos centrais, e o credito abundante era o principal responsável pelo "crescimento" econômico dos últimos anos. Os balanços dos grandes bancos americanos e europeus tem grandes rombos; muitos estariam falidos se não fosse a intervenção dos bancos centrais europeus e americano; seus balanços estão cheios de ativos "tóxicos" que valem muito menos do que o valor de face.

    E os bancos estão "sentando em cima" do dinheiro que receberam dos bancos centrais, devido ao aumento do risco de falencias e calotes; e devido a fragilidade da sua estrutura de capital. Ou seja os banqueiros estão com medo de que o pior não tenha passado ainda. Quando eles voltarem a emprestar então vai ser um sinal forte de que o pior da crise ficou para trás. E ai então haverá o risco de inflação.

    Abs

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