quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Crise nas Infinitas Terras

Quando eu era criança eu gostava muito de historias em quadrinhos e colecionava vários gibis. A situação atual do mundo lembra muito uma grande série da DC Comics chamada "Crise nas Infinitas Terras". Hoje ler as noticias economicas é muito mais interessante que os quadrinhos. O maior problema atual é que não temos nenhum herói. Os líderes mundiais vem se mostrando ineptos para lidar com os grandes problemas. O sistema político democrático acaba dificultando muito a tomada de medidas mais duras, mesmo que necessárias, pois os governantes temem não ser re-eleitos e preferem empurrar o problema pra frente, o que só agrava a situação.


O mundo encontra-se em uma situação muito delicada com grandes dívidas nas grandes economias desenvolvidas, Estados Unidos, Europa e Japão. A solução americana de imprimir rios de dinheiro não vem mostrando resultado e agora com a ascenção do Tea Party ( ala mais conservadora entre os republicanos) os EUA se viu forçado a iniciar uma política de austeridade. Todo o drama para aumentar o teto da dívida acabou apenas evidenciando a fraqueza do Obama e terminou com um acordo fraco que está longe de resolver o problema do deficit americano, fazendo com que um downgrade da nota de risco pelas agencias reguladoras seja uma ameaça cada vez mais provável. Uma agencia chinesa independente até já diminuiu a nota de risco dos EUA, mas todo mundo está de olho na posição da Standard and Poors.

A estratégia americana para sair da crise é desvalorizar o dolar para aumentar a competitividade dos produtos americanos e aumentar a receita das empresas americanas. Isto tem afetado especialmente o Brasil que tendo uma carga tributária alta e baixa produtividade vem caminhando para a desindustrialização enquanto o governo fala que está tudo bem. Isto se traduz em os brasileiros (inclusive eu) com a queda do dolar preferindo comprar produtos importados pois são mais baratos e de melhor qualidade. Ou seja a salvação dos EUA seria as custas de vários outros países. Agora finalmente o governo reconheceu o problema e lançou um pacote de estímulo para a industria. Mas o governo também não tem tido a coragem ou força (ou vontade) política para tomar as medidas necessárias de diminuir a carga tributária, cortar os custo do governo, simplificar as leis trabalhistas e investir na educação. A dívida pública brasileira vem crescendo gradativamente e já está em R$ 1,8 Trilhão (segundo reportagem recente da revista Veja); e o grande problema desta dívida brasileira é que a maior parte dela é dívida interna com taxa de juros Selic de 12,5%; ou seja só de juros o Brasil tem que pagar R$ 225 bilhões de reais por ano.

Agora a crise se intensifica e entramos nesta última semana em uma nova fase da crise com as guerras cambiais. Aparentemente vários países não vão aceitar esta desvalorização do dolar e estão tomando medidas sérias para desvalorizar suas moedas. O Brasil vem apelando para a taxação e regulação das operações cambiais. A suiça vem atuando na libor (trazendo a libor de 3 meses para zero) para valorizar o Franco Suiço. O Japão começou também a intervir na taxa de cambio para desvalorizar o Yen. O grande problema do Brasil neste sentido é nossa alta taxa de juros; como o governo não tomou as  medidas macro e micro economicas para permitir uma diminuição da taxa de juros, o Brasil provavelmente vai continuar como a maior taxa de juros do mundo, o que deve manter o real valorizado e a economia cada vez menos competitiva.

Mas o problema mais preocupante atualmente está na Europa. A taxa de juros dos títulos da dívida da Espanha e da Itália vem subindo a níveis recordes. Hoje a Itália vai ter de rolar uma parcela da dívida e existe dúvida se a demanda de títulos pelos Bond Holders vai ser suficiente ou se vai acontecer a uma taxa de juros razoável. Talvez o Banco Central Europeu tenha de intervir e comprar os títulos da Itália. Uma crise na Europa parece iminente.

9 comentários:

  1. Excelente análise, IF!

    Estamos vivenciando um cenário econômico mundial que é até pior do que o de 2008, uma vez que a crise não está eclodindo apenas nos EUA, mas também na Europa. Ou melhor, essa crise atual parece ser nada mais do que um dos desdobramentos da crise de 2008.

    É evidente que a crise que por ora "parece" atingir mais em cheio apenas os mercados financeiros logo logo estará respingando na dita "economia real".

    O Governo brasileiro está na corda bamba. O discurso oficial do "está tudo bem" na verdade mascara uma situação de equilíbrio dificílimo. No final das contas, vai sobrar pro capital produtivo ter que arcar com a conta, uma vez que a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco.


    Não fazer o dever de casa (leia-se: investimentos em educação, infra-estrutura, reforma tributária etc.) dá nisso. Quem viver verá.


    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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  2. Valeu pessoal!

    Parece que ninguem ta querendo comprar os bonds dos PIIGS e o BCE ta tendo que comprar tudo. A coisa está feia e vai piorar!

    Leiam:
    http://www.cnbc.com/id/44016315

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  3. Concordo em tudo que você disse. Apenas mais um dado curioso, pouco antes da grande depressão dos anos 30 os países se fecharam adotando medidas protecionistas. Resultando em uma das piores crises do sistema capitalista.

    Esta crise é mais séria e perigosa, pois o epicentro é o próprio Estado. Vamos torcer para que os políticos tomem as atitudes corretas antes que seja tarde demais.

    Abcs,

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  4. IF,

    A guerra cambial não para.
    Reeleição é uma droga, faz o governante governar pensando na próxima eleição e não no país.
    Ótima análise, parabéns.

    Abraço.

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  5. É triste ver o Brasil indo para o matadouro capitalista tudo por vaidade de um partido mais demagógico que a demagogia. Parabéns pelo blog, um avanço na sociedade que precisa de outras informações, já fiz dezenas de visitas aqui. Visite o meu: ofogareu.blogspot.com Um abraço

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  6. IF, acompanho a pouco tempo seu blog, mas sempre gostei da forma como você trata seus investimentos. Vou confessar, estou a cerca de 1 ano na bolsa como trader e juro que cansei de perder dinheiro (buscando retornos de 5%, 10%). Vendo seu blog caiu a ficha de que o segredo está em um retorno consistente visando o longo prazo. Refiz meus planos e metas e calculei em cima de um retorno liquido de 1% ao mes. Gostaria de te perguntar, aproveitando sua experiência, se este retorno é plausível e o que você recomenda para mim neste caso? Penso em montar uma carteira de dividendos. é válido? Muito obrigado

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  7. Anonimo,

    Minha sugestão é uma alocação da carteira entre ações, Fundos Imobiliários e Renda Fixa; para a bolsa acho que a melhor opção é um ETF como BOVA11 ou PIBB11; o percentual em cada classe de ativos fica a criterio da sua tolerancia ao risco.

    Abs

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