segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O papel da Análise Fundamentalista

Gosto de levar uma idéia ao seu extremo para provar a sua veracidade; mas obviamente isto as vezes da margem para interpretações erroneas. Nos últimos posts fiz questão de frisar como a análise fundamentalista está sujeita a falhas, quando ela tenta prever o preço futuro de uma ação, qual seria o seu "preço justo" e quanto seria a margem de segurança do investidor. Ou seja a análise fundamentalista não consegue dizer realmente qual empresa está barata e qual empresa está cara. Ela faz apenas uma análise em relação ao resultado passado da empresa (que não interessa ao investidor). Mas a análise fundamentalista continua sendo muito importante apesar de não ter nenhum poder preditivo.

Então qual o papel da análise fundamentalista?? Bem, ela nos ajuda a conhecer muitos aspectos qualitativos da empresa. Ao analisar os balanços e relatórios podemos conchecer:

- O setor em que a empresa trabalha
- As perspectivas para o setor e para a empresa
- Os concorrentes
- O valor da marca da empresa
- As vantagens do negócio frente aos rivais
- Se há algum tipo de monopólio
- O estilo de gestão da empresa
- A preocupação com o acionista minoritário
- Os planos futuros da empresa
- Como ela lida com as crises econômicas e financeiras
- Se o capital está sendo investido da melhor maneira possível ou não 

Estes e vários outros aspectos vão ajudar a compreender quais são as melhores empresas para investirmos. Ou seja, apesar da análise fundamentalista não poder predizer o futuro de uma empresa e não ser garantia de nada, o conhecimento do DNA de uma empresa é essencial para um investidor de longo prazo, para que ele faça um investimento consciente. Ou seja a análise fundamentalista é importante e essencial, mas não para o que muitos "fundamentalistas" acreditam. Ela lhe ajuda a escolher as melhores empresas, mas não garante resultados.

E como o futuro é imprevisível o investidor defensivo vai tentar diversificar o máximo possível, mas não uma diversificação burra, diversificar por diversificar, em qualquer empresa, mas usando uma diversificação "fundamentada", diversificando entre várias empresas excelentes. Neste aspecto a análise fundamentalista vai ajudar a separar o joio do trigo. A idéia aqui é mais ou menos a seguinte: se existem várias empresas boas por que se prender a apenas uma ou poucas? Por exemplo os maiores e melhores bancos do Brasil são o Itau, Bradesco e Banco do Brasil. Por que investir em apenas um se voce pode investir nos três?? Qualquer um destes tem uma chance semelhante de ser o melhor e de ter lucros excepcionais, então é mais sensato dividir o capital entre eles. Ao diversificar voce reduz sua chance de erro e aumenta sua chance de acerto. Obviamente existem alguns limites para a diversificação que seriam principalmente os custos e sua capacidade de acompanhar muitos ativos. 

sábado, 28 de agosto de 2010

Se nem a analise técnica ou fundamentalista funcionam o que fazer??

Neste blog venho ao longo do tempo fazendo em parte um papel semelhante ao de Nietzsche (não que eu esteja me comparando a este gênio...), filosofando com o martelo, ou melhor investindo com o martelo, descontruindo as ilusões que existem no mundo dos investimentos em ações, e mostrando um pouco a dura realidade do mercado.

Infelizmente a mídia brasileira de finanças está na sua grande maioria totalmente iludida. Uns iludidos, outros se iludindo e outros ainda por má fé, ou ignorancia, iludindo os outros. Por um lado a grande maioria dos investidores tenta se basear pela análise técnica, em uma ilusão de que os padrões gráficos do passado vão se repetir no futuro. Em alguns posts eu tentei mostrar e apresentar evidências científicas que comprovam que a análise técnica não funciona.

Se voce não leu ainda leia:

- A ilusão do grafista
- Análise Técnica: Sorte ou realidade?

Mas apesar de não existir base científica nenhuma para a análise técnica, não só os analistas e corretores não explicam isto para os novos investidores, mas pelo contrário, vivem a dar cursos, consultorias e vender livros sobre a análise técnica. Apenas pare um segundo e reflita: Se a análise técnica funcionasse, por que o analista então viveria de dar cursos e de fazer palestras, em vez de ganhar dinheiro na bolsa com os seus trades??? Afinal, se alguem soubesse uma maneira de ganhar dinheiro fácil na bolsa, com certeza ela não ensinaria a ninguém. Apenas pegaria um emprestimo em um banco e seria milionário em pouco tempo.

Em um número infinitamente menor estão os adeptos da análise fundamentalista. Como expliquei em alguns posts como A dificil arte da análise fundamentalista, O que a análise fundamentalista não mostra, e no meu último post Por que a análise fundamentalista muitas vezes não funciona, a análise fundamentalista é importante e é essencial analisar os balanços de uma empresa antes de investir nela; mas o que a maioria acaba esquecendo é que os balanços da empresa refletem apenas o passado da empresa e não são nenhuma garantia de performance futura. Além disto, no cálculo do preço justo de uma ação o analista tem que presupor diversas variáveis como taxa selic, taxa de crescimento doslucros da empresa, entre várias outras. E eventualmente estas previsões podem se mostrar totalmente erradas. Ou seja, a análise fundamentalista pode se mostrar totalmente furada. Obviamente voce deve usar a análise fundamentalista mas lembrar que ela é apenas uma projeção que pode ou não se concretizar. Ou seja a análise fundamentalista não garante nada. Por outro lado uma empresa que está com balanço péssimo pode fazer um turn around e se mostrar um excelente negócio.

E agora??? O que fazer?? Agora voce deve estar perdido e confuso. Se a análise técnica não funciona e também a análise fundamentalista muitas vezes não funciona, o que o investidor deve fazer? A única coisa a fazer é encarar a realidade. E a realidade é dura e é a seguinte:

- O mercado de ações e a economia é imprevisível
- Existe o risco de voce perder muito dinheiro e não recuperar nunca mais.
- Aquela empresa com balanço excelente pode quebrar amanhã (já ouviu falar da Enrom?)
- Sua análise técnica pode e vai dar errado, especialmente quando voce estiver apostando muito dinheiro
- Resumindo, ninguem sabe de nada, incluindo corretores e economistas.
- Economistas só tentam dar uma explicação para o que já aconteceu, não tendo nenhuma certeza sobre o que vai acontecer.
- Todas as previsões são furadas
- O Risco é real.

Os traders profissionais sabem disto. E na verdade eles não são investidores mas são apostadores profissionais. Eles ganham com a flutuação do mercado. Eles fazem uma aposta por exemplo que uma ação vai subir ou cair e então fazem uma trade e ficam de olho. Ao mínimo sinal de que o mercado esta indo pro outro lado eles vendem (conhecido como Stop). A idéia é quando ganhar, ganhar muito e quando perder, perder pouco. E contar com a sorte. Ou seja é tudo um chute. Se der certo, OK. Quando a economia vai bem e o mercado está em bull market o cara ganha várias e acha que a análise técnica funciona e se acha o máximo; quando na verdade até um macaco ganharia dinheiro em um bull market, aleatoriamente.

Então antes de voce apostar seu dinheiro naquele trade baseado nos gráficos, ou de entrar 100% em uma empresa que está "baratíssima" pela análise fundamentalista, abre o olho. E a única solução para a incerteza é a diversificação, tanto entre várias classes de ativos não correlacionados (asset allocation) quanto dentro de uma classe de ativos, diversificando entre várias ações por exemplo.

A verdade é dura e poucos conseguem aceitar a incerteza inerente ao mercado.

Se quiser ler mais sobre isto:

Manejo do Risco: Asset Allocation

domingo, 15 de agosto de 2010

Por que a análise fundamentalista muitas vezes não funciona ou Enganado pelo P/L

Eu já fui um adepto da análise fundamentalista e um díscipulo do Value investing, analisando balanços e múltiplos fundamentalistas como o P/L, P/Vpa, ROE e outros. Hoje não sou mais. Obviamente todos estes fatores são importantes e devem ser analisados por um investidor de longo prazo, antes de se tornar sócio de uma empresa, mas se basear exclusivamente neles é muito simplista e frequentemente conduz a muitos erros, e isto por 3 motivos básicos:

1) Como coloquei neste post a análise fundamentalista ao calcular o preço justo de uma empresa usa diversas estimativas futuras de lucro da empresa, de taxa de crecimento e da taxa selic que podem se mostrar totalmente erradas, já que o futuro é imprevisível.

2) Como comentei neste outro post as informações contidas nos balanços já estão na sua maioria precificadas nos preços das ações, devido a relativa eficiência do mercado, especialmente no caso das blue chips.

3) Por que estas informações dos balanços refletem os resultados passados da empresa, enquanto que o que vai levar a uma valorização ou queda das ações serão os resultados futuros da empresa que são até o momento que voce compra uma incognita.


De modo que o P/L representa muito mais o grau de confiança do mercado nos lucros futuros de uma empresa do que "quantos anos vai demorar para voce reaver seu investimento" como os fundamentalistas pregam. Assim é tolice escolher apenas empresas com P/L baixo para investir, pois 
você estará escolhendo apenas aquelas empresas que tem as piores perspectivas no momento, que o mercado espera que tenha lucros piores. Obviamente as expectativas do mercado podem estar erradas e a empresa pode ter lucros maiores no futuro, então voce vai ganhar bastante dinheiro, mas isto terá sido apenas um golpe de sorte.

Outra bobagem é achar que o P/L está alto e esperar o P/L baixar para investir na empresa quando ela estiver mais barata. Vejam um exemplo recente verídico, no caso com a Vale (VALE5):

6/7/2010 Vale5 - Cotação: 37,95 - P/L 20,4

O fudamentalista acredita que o P/L está muito alto e ele vai esperar o P/L baixar antes de comprar a Vale. Vejam o que acontece:

30/07/2010 Vale5 - Cotação: 42,67 - P/L 15,11

Pronto, agora que o P/L está baixo ele resolve comprar....mas, espere um pouco....a cotação está mais cara...e o nosso futuro Buffet quebrou a cara. O que aconteceu?? Simples, saiu um novo balanço em que os lucros da vale vieram bem maiores. O mercado estava com um P/L alto já esperando que a vale tivesse um lucro bom. E o nosso investidor fundamentalista deixou de comprar quando a Vale estava em R$ 37,95 e vai comprar agora por R$ 42,67, 12% mais caro. Obviamente as expectativas do mercado representadas pelo P/L poderiam estar erradas, e o lucro da vale vir muito baixo; nem sempre as expectativas do mercado estão corretas. Mas o ponto que gostaria de destacar é que não da para se basear no P/L para guiar a sua compra. O nosso futuro Buffet aprendeu a duras penas que P/L é uma coisa e cotação da ação é outra.

Conclusão: Não dá para dirirgir para frente olhando pelo retrovisor.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Retrospectiva Julho / 2010

Vejamos a alocação no inicio do mês, rentabilidade no mês e alocação no fim do mês:


Jun/2010
Rentabilidade
Jul/2010
FII
30,86%
3,95%
30,24%
Ouro
8,35%
-3,91%
7,62%
DI
29,46%
0,82%
29,56%
Ações
31,29%
9,56%
32,56%
Caixa
0,05%
0,00%
0,02%
Total
4,16%


Vamos detalhar agora cada classe de ativos, junto com um benchmark.


Renda Fixa

- Fundo DI: 0,82%

- LFT 7/3/2012: 0,83%

O rendimento do DI aumentou em relação ao mês anterior (0,79%), com o aumento da taxa de juros. O rendimento do fundo DI vem se mantendo muito próximo da LFT, com a vantagem da liquidez diária. A desvantagem é a tributação a cada 6 meses.


Ouro: - 3,91%

O ouro se desvalorizou um pouco com a maior estabilidade do mercado. Contudo, ainda me parece muito caro e acabei não comprando mais apesar de estar com uma alocação abaixo do meu target (10%).


Fundos de Investimento Imobiliário (FII)


EURO11
19,65%
3,83%
FPAB11
19,67%
6,22%
FFCI11
18,17%
3,76%
FMOF11
18,97%
-3,20%
FLMA11
15,50%
3,60%
HCRI11B
7,75%
-0,01%







Carteira
3,18%

Rendimentos
0,78%

Total
3,95%



Novamente os FII vem rendendo bastante, o equivalente a 475% do CDI.


Ações





Jul/2010
PETR4 19,09% 3,69
VALE5 14,47% 12,56
USIM3 8,47% 7,59
GGBR3 7,95% 6,96
CSNA3 5,00% 11,18
BBDC3 6,90% 22,04
BBAS3 2,49% 23,89
ITUB3 4,85% 17,53
ITSA3 3,12% 12,72
BVMF3 3,31% 11,64
CIEL3 1,29% 0,00
ELPL6 10,93% 2,89
CCRO3 3,26% 7,17
VIVO4 3,65% 0,00
DASA3 1,36% -0,47
CYRE3 3,86% 27,06



Carteira
9,56



IBOV
10,8
BOVA11
10,77
PIBB11
11,55

Minha carteira apesar de ter as ações que mais valorizaram no mês acabou ficando abaixo do IBOV devido a estar muito concentrada em petrobrás. De qualquer modo não dá para reclamar do resultado da carteira de 9,56%. Minha meta é assim que possível aumentar a diversificação nas ações para pelo menos 20 empresas e diminuir o peso da Petrobrás, sem precisar vender ações.
O destaque de rendimento foi para as ações da Cyrela, maior alta do IBOV, e para o Bradesco e Banco do Brasil. 




Portfolio: 4,16%

O desempenho do portfolio foi muito bom, principalmente devido ao desempenho da bolsa e dos FII, equivalente a 500% do CDI.

Este mês destinei todos os meus novos investimentos e os rendimentos dos FII para o fundo DI, fazendo com que a alocação final do DI aumentasse discretamente.
 

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Reflexões sobre a inflação, ouro e papel moeda

No último post destacamos alguns conceitos muito importantes:

1° ) A inflação é resultado da expansão da base monetária sem um correspondente aumento da economia.

2°) O aumento dos preços dos produtos pode ocorrer por outros motivos não relacionados com a inflação como alterações na lei da oferta e procura; e pela melhora da qualidade dos produtos e serviços.

Assim chegamos a conclusão no último post que é difícil ao analisar exclusivamente os índices de preço determinar o quanto deste aumento dos preços é decorrente de inflação e o quanto decorre de outros fatores como o aumento na qualidade dos produtos e serviços, ou de fatores ligados a lei da oferta e demanda. Assim é necessário sempre avaliar fatores qualitativos em conjunto com a análise bruta e "simples" dos índices de preço.

Agora gostaria de analisar um outro lado da moeda. Ao analisarmos o aumento da base monetária com o passar do tempo temos a impressão que houve uma grande inflação em um determinado período, pois com o aumento da quantidade de dinheiro disponível haveria uma diminuição no valor do dinheiro e "inflação". Por que este raciocínio é simplista e errôneo? Por que tem havido constantemente com o passar do tempo uma necessidade de expansão da base monetária. Ou seja, uma parte da expansão monetária é necessária. Por que?? Basicamente devido ao crescimento populacional e a expansão da economia. A população cresce. Mais pessoas trabalham e geram riquezas que antes não existiam. Onde antes haviam desertos se constroem cidades. O homem explora a terra e descobre riquezas, ouro, pedras preciosas, petroleo. Inventam-se novos produtos. Com a bioteconologia, onde em um campo antes se produzia uma quantidade X de alimentos hoje se produz no mesmo local 2 vezes mais. E como o dinheiro é um meio de troca o aumento do número de pessoas, produtos e serviços precisa ser acompanhado por uma expansão da base monetária, ou as pessoas teriam que começar a praticar escambo por falta de papel moeda.

É também por este motivo que o uso do ouro como moeda foi abandonado com o tempo, pois o ouro é raro e sua exploração é demorada e inelástica, enquanto que o crescimento populacional e da economia na história humana tem sido muito forte, e as pessoas preferiram reservar o ouro, que é um produto "raro" no mundo, para a produção de jóias do que para usar como moeda. Ou seja, é impossível hoje que se volte ao tempo em que se usava exclusivamente ouro como moeda corrente. Na verdade devido a raridade do ouro nunca se usou exclusivamente ouro como moeda, mas se usava vários outros metais mais abundantes como prata e cobre. Ou seja não existe ouro suficiente para servir como meio de troca entre as pessoas hoje para o enorme número de produtos e serviços que existem, então vamos ter que sempre usar algum outro tipo de moeda, seja papel moeda, seja digital (cartão de credito / débito / transferencias). Se em um mundo bizarro as moedas perdessem valor e se começasse a usar ouro simplesmente as pessoas inventariam uma outra moeda imediatamente ou teriam que fazer escambo.

Concluimos então que não da para analisar a inflação em um período ao analisar isoladamente apenas a expansão da base monetária. Precisamos analisar a expansão da base monetária em conjunto com a expansão da economia. Assim a inflação não é também apenas expansão da base monetária. Pode haver expansão da base monetária sem inflação. Voltando a nossa definição, o fenômeno da inflação seria uma expansão da base monetária sem uma correspondente expansão da economia. Como a expansão da economia é algo dificil de prever e só analisamos melhor ao olhar para o passado, a expansão da base monetária pelos bancos centrais é algo muito subjetivo e eventualmente os governos podem "errar a mão", intencionalmente ou não, e expandir demais a base monetária, acima do crescimento real da economia, gerando inflação.

sábado, 17 de julho de 2010

Analisando índices de Inflação

Inflação não é simplesmente aumento de preços. Pode haver aumento de preços sem haver inflação. Como isto é possível?? A inflação está relacionada com a expansão da base monetária. Quando os governos expandem a base monetária sem um correspondente aumento na economia ocorre um aumento da quantidade de dinheiro disponível e consequente perda no valor da moeda, com consequente aumento dos preços dos produtos. Isto é o que chamamos de inflação. Contudo pode haver um aumento de preços por vários outros motivos não relacionados com a inflação, e muitos deles podem ser explicados pela lei da oferta e procura. Se ocorre por exemplo uma quebra na safra de algum produto e escassez do mesmo, vai haver aumento do preço do produto, mas isto não está relacionado a inflação, mas a diminuição da oferta. Se um país ou região sofre um forte crescimento populacional ocorre aumento na demanda por imóveis e consequente aumento dos preços dos imóveis, também não relacionado a inflação.

Porque é difícil avaliar os índices de inflação?? Por que os índices de inflação obviamente só avaliam as mudanças dos preços. Contudo existem vários outros fatores subjetivos pertinentes.
Exemplos:

- Melhora na qualidade do produto. Por exemplo, não da para afirmar que uma TV é mais cara hoje do que antigamente simplesmente avaliando o preço, pois estamos comparando uma TV de LCD com alta tecnologia com uma TV antiga, provavelmente menor e com muito menos recursos. Podemos usar o mesmo raciocínio ao comparar preços de carros, motos, eletrodomésticos, casas, e quase todos os produtos.

- Melhora na qualidade dos serviços: Um exemplo claro são os custos de saúde que vem crescendo bastante. Só que juntamente com isto a qualidade dos serviços de saúde tem avançado muito, tanto no diagnóstico como no tratamento de várias doenças. Então é dificil falar que houve uma “inflação”.

Basicamente se um produto é fabricado em escala industrial a tendência com o aumento da produtividade na verdade é a deflação, e não inflação. É só analisarmos por exemplo o preço de produtos como eletrodomésticos e eletrônicos. Quem gosta de gadgets sabe que é só esperar um pouco que os preços começam a cair. E temos hoje a disposição computadores com capacidade de processamento equivalente ao que antigamente só grandes centros de pesquisa tinham acesso gastando alguns milhões. Por outro lado os produtos que são finitos, como terras e imóveis vem sempre subindo de preço com o aumento na demanda relacionado com o crescimento populacional.

Então, se é verdade que tem havido um aumento do “custo de vida” em relação as gerações passadas em grande parte é por que o cidadão de classe média hoje vive muitas vezes  em condições semelhantes a que alguns reis viviam no passado. E temos a disposição excepcional tecnologia e qualidade de vida e de saúde, de maneira que a expectativa de vida vem crescendo constantemente.

Não estou falando que não existe inflação, apenas que é muito difícil avaliar a inflação acompanhando os índices de preços. O buraco é mais embaixo. No próximo artigo irei comentar um outro fator que poucos reconhecem ao analisar as taxas de inflação.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pico do Petróleo

Um assunto pouquíssimo comentado na mídia brasileira é sobre o Pico do Petróleo, embora já seja comentado na internet (sites americanos) por alguns anos. No entanto, compreender mais sobre o Pico do Petróleo e sobre os riscos futuros é fundamental hoje em dia para entender o mundo, as guerras no golfo, a invasão do Iraque, o aumento no preço do Petróleo e o aumento da regulamentação no setor de Petróleo, as nacionalizações que vimos de alguns países da América do Sul das reservas de Petróleo, além de ajudar a entender melhor toda a economia.

Estou divulgando um video do Chris Masterson que é muito esclarecedor e da uma boa introdução ao assunto. Este vídeo faz parte de um curso maior chamado Crash Course. Quem tiver tempo vale a pena assitir a todo o curso.


http://www.youtube.com/watch?v=cwNgNyiXPLk&feature=player_embedded#!

domingo, 4 de julho de 2010

Retrospectiva Junho/2010

O mês de Junho foi bastante agitado com aumento da aversão ao risco entre os investidores. A economia americana ainda continua muito fraca com alto nível de desemprego. A economia da China vem dando sinais de desaceleração. As incertezas quanto a capitalização da Petrobrás vem derrubando fortemente suas ações. Acredito que tambem o desastre de vazamento de Petroleo da British Petroleum no Golfo do México acendeu um alerta entre os investidores de que a Petrobrás tambem está sugeita a um risco de um desastre semelhante com prejuizos incalculáveis. Os riscos de um "Double Dip" se acentuam.

No inicio de Junho a alocação era:



Vejamos a performance de nosso portfolio, junto com alguns benchmarks.

Ações

- PETR4: -9,36%
- VALE5: -9,98%
- USIM3: 12,8%
- GGBR3: -5,9%
- CSNA3: -5,02%
- BBDC3: -5%
- BBAS3: -1,85%
- ITUB3: 0,11%
- ITSA3: 3,02%
- BVMF3: -2,06%
- CIEL3: 3,05%
- ELPL6: 19,45%
- CCR03: -0,67%
- VIVO4: -5,34%
- DASA3: 13,33%
- CYRE3: -0,3%

Carteira de Ações: -3,47%
Dividendos: 0,1%

Ibovespa: -3,35%

BOVA11: -3,35%
PIBB11: -5,7%


Destaque para as ações da Eletropaulo, Usiminas e Dasa. O destaque negativo ficou por conta da Petrobras e Vale. Meu portfolio acabou sendo prejudicado pela grande concentração em Petrobras. Por outro lado fiquei satisfeito pois a rentabilidade foi muito próxima do IBOV, com beta bem próximo de 1.


Fundos de Investimento Imobiliário (FII)

- EURO11: 1,67%
- FPAB11: 0%
- FCCI11: 0%
- FMOF11: 20,34%
- FLMA11: -7,89%
- HCRI11B: -11,85%

Carteira de FII: 1,38%
Rendimentos distribuídos: 0,77%
Venda de direitos de subscrição do FFCI11: 0,85%
Total: 3%

Optei por não exercer o direito de subscrição do FFCI11 pois precisaria vender alguns ativos e já estou com uma boa alocação em FII; então vendi os direitos com lucro de 0,85% do valor total da carteira de FII.
O Fundo Imobiliário Memorial Office (FMOF11) recuperou tudo que tinha perdido. Quem comprou a um mês atrás se deu muito bem. A carteira de FII rendeu muito bem, com rendimentos total de mais de 300% do CDI.



Renda Fixa

Fundo DI: 0,79

LFT 7/3/2012: 0,79

Fundo DI com mesma performance de uma LFT mas com liquidez diária. Melhor impossivel.


OURO: 2,92%

O Ouro continua sendo o melhor investimento do ano, disparado.



Portfolio: 0,12%

O desempenho do portfolio em vista da desvalorização do IBOV foi bom, com preservação do capital e discreto ganho. Como minha participação menor esta na renda fixa optei por destinar os rendimentos dos FIIs e os dividendos para a parcela de renda fixa. Assim no fim do mês a alocação da carteira era:




Próximos passos

A alocação de ativos acaba sendo um guia para direcionar aonde se deve investir. Minha alocação está bem próxima do target (30/30/30/10). A principio a idéia é que se a bolsa continuar a cair vai começar a ficar interessante aumentar os investimentos na bolsa. Se ela se mantiver estável ou subir devo aumentar o investimento na renda fixa para atingir os 30% de alvo.   

Minha carteira de ações ainda está muito concentrada, principalmente com um peso excessivo na Petrobrás. A idéia é aos poucos aumentar a diversificação, para atingir pelo menos 20 ações diferentes e diminuir o peso da Petrobras.


Sugestões são bem vindas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Análise de Risco da Carteira de Ações

A corretora WIN tem uma ferramenta excelente que permite que se faça uma análise de risco de uma carteira de ações. Para poder utilizar é necessário fazer um cadastro e criar uma conta na corretora, mas não é necessário criar uma conta completa. Após o cadastro e fazer login voce já pode acessar esta e outras ferramentas interessantes. Voce cadastra uma carteira de ações, colocando todos os ativos e quantas ações de cada um voce possui. Depois disto o sistema calcula o Beta da carteira, o Value at Risk (VaR) e há uma área bem interessante em que se pode simular vários cenários de stress. Nesta área é possivel ver o que provavelmente aconteceria com a sua carteira se o Ibovespa subisse ou caisse de 1 até 10%. Também é possivel simular o que possivelmente aconteceria em 4 cenários históricos: A queda da bolsa da China, o 11 de setembro, a crise asiática e com o Ibovespa a 72.000 pontos.

Vejamos os resultados para minha carteira de ações:

Beta: 0,95
VaR (Pior perda de sua carteira de um dia para o outro, em condições normais de mercado, com intervalo de confiança de 95%): Valor correspondente a 2,1% do valor total da carteira

Cenários de Stress:

- Crise Asiática 1997: -15,29%
- Queda da Bolsa da China: -14,47%
- 11 de setembro: -7,49%

- Ibovespa a 72000 pontos: +16,5%

Seria interessante se eles tivessem uma opção de simulação da crise do subprime. Obviamente estas simulações se baseiam em retornos passados e não são 100% confiáveis. Servem apenas para se ter uma idéia do que poderia acontecer e se preparar psicologicamente para uma crise.

Fiquei contente que a performance está bem próxima do Ibovespa.

De qualquer modo a WIN está de parabens pela excelente ferramenta.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Aniversário

O blog está comemorando um ano de existencia e de visual novo. Nada muito elaborado, apenas um dos novos designs do blogger que achei mais interessante. Este blog não tem uma periodicidade definida, pois só escrevo quando acho que tenha algo interessante para outros lerem, e o foco maior é na qualidade e não na quantidade, mas houve no total 68 posts, o que dá um pouco mais de um post por semana. O Objetivo do blog é a educação financeira e acredito que ele vem conseguindo trazer um conteudo de valor aos pequenos investidores.

Em comemoração ao aniversário trouxe um pequeno resumo dos melhores posts neste último ano, que refletem bem tudo que tenho aprendido e como vejo o mundo financeiro.