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sexta-feira, 11 de março de 2011

Mudanças no portfolio: Venda do Ouro

Acredito que é muito importante em um portfolio ter uma parte alocada em ativos reais (hard assets) como ouro, imoveis, jóias, commodities, entre outros. No portfolio permanente o papel do ouro seria de proteger o portfolio em períodos de forte inflação. Contudo os imóveis também tendem a se apreciar em perídos de inflação, mantendo o seu valor. Além disto as ações também tem um hedge parcial contra a inflação. Então o papel do ouro como hedge inflacionário talvez não seja tão necessário. Estive lendo vários artigos sobre o papel do Ouro e de Imoveis em um portfolio de longo prazo; e a conclusão que cheguei é que existe pouco beneficio adicional de se investir em ouro em um portfolio que tenha um grande percentual em imóveis (como o meu). Acredito que o ouro possa ter um papel importante em portfolios sem imóveis.

A principal desvantagem do ouro em relação aos imóveis é que os imóveis geram uma renda mensal na forma de aluguel, que no caso dos FII é isento de imposto de renda enquanto que os ganhos com ouro dependem exclusivamente da valorização e ganhos de capital. Além disto o investimento em ouro é muito mais "caro" devido ao enorme spread de compra/venda (ágio e deságio) na negociação do ouro. 

Optei então pela venda de todo o ouro do meu portfolio e manter apenas os imóveis (FII) como hard assets. Para verem como o deságio é grande o ouro hoje é vendido a R$ 74,00/g e é comprado a R$ 81,00/g. Vendi então a R$ 74,00; o meu preço médio de compra tinha sido R$ 62,75, o que representa um lucro de 17,9%; isto em um período de 2 anos; ou seja o rendimento ficou um pouco abaixo da renda fixa.

Resolvi então realocar o dinheiro entre as outras classes de ativos (Renda fixa, ações e Fundos Imobiliarios) em proporções iguais. Assim meu portfolio vai ter a partir de agora 33,33% de cada uma destas classes de ativos.

Operações:

- Apliquei um terço na renda fixa: fundo DI
- FII: Compra do FEXC11B a R$ 111,00 e do BCFF11B a R$ 107,1
- Ações: Reforcei algumas posições: compra da VALE5 a R$ 46,55; BBAS3 a R$ 28,1 e BVMF3 a R$ 11,06
- Restou ainda um pouco de dinheiro em caixa que ainda não decidi o que fazer.

Estas mudanças devem simplificar um pouco mais o portfolio; aumentar a renda mensal gerada pelo portfolio e diminuir a volatilidade (uma vez que o ouro é muito volátil). Existe contudo um pequeno aumento no risco global do portfolio, que acredito ser plenamente aceitável. 

Abs

terça-feira, 15 de junho de 2010

Retrospectiva Maio / 2010

Estarei descontinuando o acompanhamento do nosso portfolio permanente fictício, basicamente por que não estou mais investindo em ETFs, então acho que fica um pouco contraditório; apesar de ainda achar uma excelente opção de investimento. Além do mais acho que mesmo nestes poucos meses já deu para pegar um pouco o espírito da coisa, no uso de asset allocation, e deu para ter uma idéia dos seus benefícios. Mas em compensação vou passar a divulgar meu portfólio pessoal, que segue os mesmos princípios do portfólio permanente e segue os mesmos targets de alocação, apenas com um pouco mais de flexibilidade, e no caso em vez dos ETFs estou investindo em ações individuais na parte das ações. Apenas não divulgarei valores, apenas percentuais, até por que acho que não acrescenta muito.

Apenas para relembrar, no mês de maio tivemos uma forte queda da bolsa com a acentuação da crise européia, seguida no final do mês de uma recuperação parcial. A Selic vem aumentando, pressionada pela inflação e o câmbio manteve-se relativamente estável, com leve apreciação do Dólar e desvalorização do Euro. O grande destaque novamente foi o Ouro, com valorização expressiva. Os Fundos imobiliários se mantiveram relativamente estáveis.

IBOVESPA: - 6,64%
LFT (16/03/2011): 0,74%
IPCA: 0,43%
IGP-M: 1,19%

No mês, vendi algumas cotas de Fundos de Investimento Imobiliário e comprei ações da Cyrela e Itausa, que já tiveram uma apreciação razoável. Depois coloco o portfolio detalhado.

domingo, 2 de maio de 2010

Retrospectiva - Abril / 2010

Segue o acompanhamento da nossa versão adaptada do portfolio permanente.

Iniciamos com um portfolio fictício de R$ 100.000,00 em 01/01/2010. O portfolio é composto por (target):

- 30% renda fixa: LFT 07/03/2012
- 30% Ações: BOVA11
- 30% Fundos imobiliários: uma carteira com 7 FII (EURO11, FFCI11, FPAB11, FLMA11, FMOF11, HCRI11B, PABY11)
- 10% Ouro

No fim de março tinhamos (valores brutos e percentual):

- RF: 30.588,79 (29,69%)
- Ações: 30750,33 (29,84%)
- FII: 29.841,00 (28,96%)
- Ouro: 10967,45 (10,64%)
- Caixa: 874,07 (0,84%)

Total: R$ 103.021,64

Em abril tivemos uma forte queda da bolsa de valores, ligada aos temores financeiros na Grécia e a alta do juros que ocorreu na última reunião do copom.

Vamos ao rendimento do mês de Abril / Anual:

- LFT: 0,66% / 2,67%
- BOVA11: - 4,4% / - 2,31%
- FII: 2 % + rendimentos R$ 218,25 / 1,45% de valorização anual + rendimentos de  R$ 1.092,32 (3,64%) = total de 5,09%
- Ouro: 1,47%% / 11,28%

Assim no fim de Abril tinhamos então (valores brutos e percentual):

- RF: 30.801,00 (29,97%)
- Ações: 29.307,00 (28,51%)
- FII: 30.435,00 (29,61%)
- Ouro: 11.128,00 (10,82%)
- Caixa: 1.092,32 (1,06%)

Total: R$ 102.763,32

Rendimento do portfolio no mês: - 258,32 (- 0,25%)
Rendimento do portfolio no ano: 2.763,32 (2,76%)

A queda da bolsa fez com que o rendimento do portfolio ficasse negativo este mês, mas a queda da bolsa foi bem suavizada pelo rendimento das outras classes de ativos. Vemos que o Ouro vem sendo o melhor investimento do ano disparado, justamente pela pressão inflacionária. Logo atrás vem os imóveis com um rendimento também muito bom (190% do CDI); em terceiro vem a renda fixa (LFT) e por último a bolsa com rendimentos negativos no ano.

O portfolio vem mantendo um rendimento ligeiramente acima do CDI. Até agora o portfolio vem se comportando muito bem com boa rentabilidade e baixa volatilidade.

Temos em caixa o valor de 1.092,32. Resolvemos investir este valor no ativo mais desvalorizado do portfolio que no caso é a bolsa. Compra de 16 cotas do BOVA11 ao custo de R$ 66,92 (valor de fechamento do ultimo pregao), total de 1.070,72 e custo de corretagem de 5,90 (0,55%). Assim teremos de mudança:


- RF: 30.801,00
- Ações: 30.377,72
- FII: 30.435,00
- Ouro: 11.128,00
- Caixa: 15,7

Total: R$ 102.757,42

domingo, 11 de abril de 2010

Retrospectiva Março / 2010

Segue o acompanhamento da nossa versão adaptada do portfolio permanente.

O portfolio é composto por (target):

- 30% renda fixa: LFT 07/03/2012
- 30% Ações: BOVA11
- 30% Fundos imobiliários: uma carteira com 7 FII (EURO11, FFCI11, FPAB11, FLMA11, FMOF11, HCRI11B, PABY11)
- 10% Ouro

No fim de fevereiro tinhamos (valores brutos e percentual):
- RF: 30.370,13 (30,11%)
- Ações: 29.064,59 (28,82%)
- FII: 30.218,28 (29,96%)
- Ouro: 10518,32 (10,43%)
- Caixa: 663,19 (0,65%)

Total: R$ 100.834,51

Vamos ao rendimento do mês de março / anual:

- LFT: 0,72% / 1,96%
- BOVA11: 5,8% / 2,5%
- FII: -1,25% + rendimentos R$ 210,88 / - 0,53% de valorização anual + rendimentos de  R$ 874,07 (2,91%) = total de 2,38%
- Ouro: 4,27% / 9,67%

Assim no fim de março tinhamos (valores brutos e percentual):
- RF: 30.588,79 (29,69%)
- Ações: 30750,33 (29,84%)
- FII: 29.841,00 (28,96%)
- Ouro: 10967,45 (10,64%)
- Caixa: 874,07 (0,84%)

Total: R$ 103.021,64

Rendimento do portfolio no mês: 2.187,13 (2,18%)
Rendimento do portfolio no ano: 3.021,64 (3,02%)

Fazendo uma análise por classe de ativos vemos que a classe que vem rendendo mais é o Ouro com 9,67%, disparado na frente das demais classes de ativos, em virtude da inflação da moeda. Em segundo lugar a bolsa com rendimento anual de 2,5%. Os FII vem com um rendimento bem próximo da bovespa com rendimento de 2,38%, basicamente devido a uma grande distribuição de rendimentos; houve uma pequena desvalorização das cotas devido a expectativa de aumento da SELIC, que foi amplamente compensada pelos rendimentos mensais. E a SELIC vem por último com rendimento de 1,96% anual.

O Portfolio como um todo vem tendo um excelente desempenho com rendimento acima da bolsa e do CDI. Mesmo com a alta da bolsa o portfolio conseguiu ganhar da performance da bolsa. Impressionante não?? Obviamente o desempenho do portfolio vai variar mes a mes e se a bolsa continuar subindo certamente vamos perder da bolsa. Por outro lado se houver uma correção forte possivelmente vamos ganhar da bolsa e perder do CDI. O bom de uma estratégia assim é que não precisamos tentar advinhar o futuro.

Temos em caixa o valor de 874,07 que poderia ser investido em alguma das classes de ativos; no momento as melhores opções seriam os FII e a renda fixa. Contudo uma operação de compra teria ainda um custo relativamente alto de 1,93%. Acredito que não compense muito.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Retrospectiva Fevereiro / 2010

Segue o acompanhamento da nossa versão adptada do portfolio permanente.

O portfolio é composto por (target):

- 30% renda fixa: LFT 07/03/2012
- 30% Ações: BOVA11
- 30% Fundos imobiliários: uma carteira com 7 FII (EURO11, FFCI11, FPAB11, FLMA11, FMOF11, HCRI11B, PABY11)
- 10% Ouro

Estamos acompanhando um portfolio ficticio cujo valor inicial em 01/01/2010 era de R$ 100.000,00. Não consideramos as corretagens iniciais para montar o portfolio, mas a partir de agora em qualquer transação vamos registrar o preço da corretagem. Não vou considerar emolumentos para efeito de simplificação. Vou considerar como valor de corretagem os valores da corretora Spinelli (R$ 16,90 no mercado a vista e R$ 5,90 no fracionário; taxa de custódia zero; taxa do tesouro direto zero), que é a que eu uso. Existem mais caras e mais baratas, mas a Spinelli tem um preço bem razoável, principalmente no fracionário, além da taxa zero no TD. Também vou sempre descontar o IR. Por que isto é importante??? Primeiro por que estas taxas  incidem no mundo real, e se não considerarmos estes custos vamos estar propensos a fazer muitas operações e realocações, quando na verdade estas taxas comem uma boa parte do lucro das operações e punem os portfolios com alto turnover.


Atenção,
No post anterior da retrospectiva de janeiro houve um erro na rentabilidade do BOVA11 em janeiro que no post original saiu com -5,26%, mas que na verdade foi de -4,7%.
Corrigi o post anterior colocando as rentabilidades corretas, o que aumentou discretamente o rendimento do mês de janeiro. Assim, no fim do mês de janeiro nosso portfolio tinha:

- RF:       30.180,00
- Ações:  28.590,00
- FII:       30.936,00 + 208,51 disponíveis na conta da corretora
- Ouro:   10.645,00     
        
Total:   R$ 100.559,51



Vamos ao rendimento de fevereiro e anual:

- LFT: 0,63% / 1,23%
- BOVA11: 1,66% / - 3,11%
- FII: -2,32% + 454,68 de rendimentos / 0,72% de valorização anual + 2,21% de rendimentos - total de 2,93%
- Ouro: -1,19% / 5,18%

Assim no fim de fevereiro tinhamos (valores brutos e percentual):
- RF: 30.370,13 (30,11%)
- Ações: 29.064,59 (28,82%)
- FII: 30.218,28 (29,96%)
- Ouro: 10518,32 (10,43%)
- Caixa: 663,19 (0,65%)

Total: R$ 100.834,51

Rendimento do portfolio no mês: 275,00 (0,27%)
Rendimento do portfolio no ano: 834,51 (0,834%)

Como vimos o melhor investimento neste ano tem sido o ouro seguido pelos fundos imobiliários. Depois a renda fixa e o pior resultado tem sido da bolsa. O nosso portfolio balanceado tem tido um rendimento intermediário, abaixo do CDI e bem melhor que a bolsa.

Acredito que os valores disponíveis são baixos para se reinvestir ou rebalancear. Se fossemos investir o dinheiro em caixa a corretagem corresponderia a praticamente 1%. O portfolio ainda está bem próximo dos alvos planejados.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Retrospectiva Janeiro/2010

A partir de agora no fim de cada mês vamos rever o comportamento dos vários mercados de renda fixa, ações, imóveis e ouro para acompanhar ao vivo como se comporta uma estratégia de investimentos multimercado baseado nas premissas do portfolio permanente, com várias adaptações que fiz ao mercado brasileiro. Se quiserem entender melhor a idéia do portfolio permanente sugiro rever os posts anteriores sobre este tópico. A idéia principal do portfolio permanente é não fazer apostas direcionais, mas preservar o capital e ter um retorno adequado, independente da direção dos mercados. A idéia não é ter o maior retorno possível. Certamente um portfolio mais concentrado em ações vai ter um retorno melhor se a bolsa subir forte. Por outro lado em uma recessão ou depressão as ações são muito penalizadas, vide o que aconteceu em 2008. Mas como o futuro é incerto não vamos fazer apostas direcionais. Se a bolsa subir vamos ganhar com a parte do portfolio que está na bolsa. Se a bolsa cair, vamos ganhar com as outras classes de ativos. 

Bem, a principio o nosso portfolio permanente vai ser constituido de:
- 30% na Renda Fixa (DI,  CDB, Tesouro Direto)
- 30% na bolsa
- 30% Fundos Imobiliários
- 10% Ouro




Para efeito de acompanhamento vamos considerar inicialmente um portfolio ficticio de R$ 100.000,00; e vamos considerar na renda fixa a LFT 07/03/2012, para as ações a performance do BOVA11, para a os FII a performance de uma carteira com 7 FII (EURO11, FFCI11, FPAB11, FLMA11, FMOF11, HCRI11B, PABY11); escolhi estes pois são os que tenho e já acompanho mesmo. Isto apenas para facilitar.

Vamos lá:
- BOVA11: -4,7%
- LFT: 0,6%
- Ouro: 6,45%
- FII: 0,69% de rendimentos distribuídos, o que no nosso portfolio de R$ 30.000 seriam R$ 208,51
         3,12% de valorização das cotas

Ou seja no final do mês nosso portfolio teria:
- RF:       30.180,00
- Ações:  28.590,00
- FII:       30.936,00 + 208,51 disponíveis na conta da corretora
- Ouro:   10.645,00     
        
Total:   R$ 100.559,51
Rendimento do portfolio: 559,51 ( 0,55%)

Rendimento bem baixo no mês, abaixo da renda fixa; mas considerando que a bolsa despencou e que não sabíamos no começo do mês o que ia acontecer; na verdade existia uma certa euforia com a bolsa, podemos dizer que foi um vitória a preservação do capital, com um pequeno rendimento.

Quais os próximos passos? Basicamente podemos rebalancear ou não. Acredito que neste caso a diferença de valores para rebalancear seja pequena e nao compense os custos.
      

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Realocação

Apos montar um portfolio com uma alocação adequada aos seus objetivos de investimento e tolerancia ao risco uma recomendação frequente é realocar apos X% de mudança no portfolio original. O objetivo da realocação é retornar o portfolio a asset allocation original e devolver o "equilibrio" ao portfolio. Alguns argumentam que a realocação aumenta os lucros no longo prazo e que diminui o risco da carteira. Mas o que realmente acontece ao realocar? E quais os riscos?

Basicamente a ideia de realocar a carteira se baseia na premissa de "retorno a média" em que se acredita que apos uma alta forte da bolsa a tendencia é que ela caia e retorne a média; ou que no caso contrário apos uma queda que ela volte a subir. O problema maior é que os mercados não são tão simples. O movimento das ações na verdade não é tão previsivel, pelo contrário, é altamente imprevisivel. E frequentemente o mercado de ações se move em uma determinada tendencia por um longo período.

Em um bull market prolongado a realocação vai diminuir o retorno da sua carteira e diminuir o risco (volatilidade) ao passo que voce vende as ações e investe em renda fixa, a espera de uma queda, e o mercado continua subindo. E em um bear market prolongado a realocação faz com que voce aumente suas perdas potenciais ao passo que voce compra mais ações que continuam caindo, aumentando o risco da sua carteira. Claro que se voce acertar o timing e apos a realocação o mercado inverter voce provavelmente vai ganhar mais dinheiro se tiver realocado. Se por outro lado o mercado mantiver a tendencia voce vai ganhar menos ou perder mais dependendo da direção do mercado. Se por outro lado voce não realocar em um bull market prolongado voce vai ganhar bem mais dinheiro e em um bear market prolongado não realocar vai limitar as suas perdas.

Um outro problema da realocação é se voce investe em ações individuais em vez de investir no mercado como um todo atraves de um ETF. Se uma ação esta caindo e voce vai realocando e comprando mais daquela ação que está caindo voce pode acabar perdendo muito dinheiro se aquela ação estiver caindo por um bom motivo, como aconteceu com a sadia na crise e voce pode até perder tudo se a empresa falir ou houver alguma fraude grande.

Outro grande problema com a realocação é o aumento nos custos que ela produz. Alem de maiores custos de corretagem voce vai estar frequentemente pagando imposto de renda para o governo e estes custos vão comendo uma boa parte do seu lucro. E quanto mais frequente as realocações forem mais gastos e IR. Geralmente nas simulações que vemos sobre as vantagens da realocação não são computados os gastos com corretagem e o IR.

Assim vemos que a realocação tem vantagens e desvantagens e ela pode algumas vezes aumentar o risco e a volatilidade da carteira além de aumentar os custos.

sábado, 24 de outubro de 2009

Adaptação do Portfolio Permanente ao Brasil

Como vimos o modelo de um portfolio permanente se baseia em manter um portfolio amplamente diversificado em diferentes classes de ativos, que possa ir bem em qualquer cenário macro-econômico, tanto em um cenário de inflação, recessão, depressão ou prosperidade. O portfolio não tenta fazer nenhuma predição sobre o futuro mas apenas manter de uma forma balanceada as 4 classes de ativos.

Relembranado o portfolio permanente seria composto por:

- 25% ações SP500; que iriam bem durante uma fase de prosperidade
- 25% Ouro; que iria bem em um cenário de hiperinflação
- 25% Titulos do governo de longo prazo; renderiam bem em um cenário de depressão
- 25% Fundo Money Market; para épocas de recessão, quando os juros sobem

Fazendo uma adaptação básica para mercado brasileiro teríamos:

- 25% ações: fundo indexado como PIBB11 ou BOVA11
- 25% Ouro
- 25% Titulo prefixados de longo prazo: NTN-F
- 25% Fundo DI ou LFTs

Ao analisarmos o portfolio permanente tupiniquim com ativos que estamos mais acostumados a analisar, vemos que o portfolio permanente é muito concentrado em renda fixa. Uma outra diferença em relação ao mercado americano é que a nossa renda fixa ainda tem uma taxa de juros bem alta em comparação com os mercados globais.

Por outro lado os nossos titulos prefixados de longo prazo não são de tão longo prazo assim; a NTN-F mais longa é a de 2017, com taxa hoje de 13,23% e pagamento de juros semestrais. Na verdade os titulos de mais longo prazo no Brasil são as NTN-Bs, que são titulos mistos, que tem um componente prefixado que atualmente está em torno de 6,6% e um componente pos-fixado que segue o IPCA. E por que é importante no modelo do portfolio permanente que os titulos sejam de longo prazo? Por que em um cenário de depressão o governo baixa rapidamente as taxas de juros e os titulos prefixados se valorizam fortemente, e quanto mais longo o titulo mais ele vai se valorizar. Por exemplo, com a queda nos ultimos meses da taxa selic as NTN-F de 01/01/2017 tiveram uma valorização do seu valor de face de 41,64% nos ultimos 12 meses. Já as NTN-Bs, mesmo tendo uma taxa de juros pre-fixada bem menor em relação as NTN-Fs, tiveram uma valorização bem proxima de 38,72%, devido a serem titulos de mais longo prazo; e isto em um período em que o IPCA ficou muito baixo. Ou seja esta valorização toda veio do componente pre-fixado. Então no Brasil temos uma opção de ter um titulo como a NTN-B que tem um comportamento muito interessante, de se comportar bem em um cenário de queda forte dos juros, como o ocorre em uma depressão e de se comportar bem em um cenário inflacionário. Então poderíamos ao inves de usar apenas as NTN-Fs utilizar no seu lugar as NTN-Bs ou fazer um mix:

Então o portfolio ficaria assim:

- 25% Ações (PIBB11 ou BOVA11);
- 25% Ouro
- 25% Titulos de longo prazo: 12,5% NTN-F e 12,5% NTN-B
- 25% Fundo DI ou LFT

Acrescentamos as NTN-Bs por que elas tem um componente pre-fixado de longuissimo prazo que se valoriza muito em um cenário de queda forte dos juros, mas ela tambem tem um componente pos-fixado indexado ao IPCA que nos dá uma proteção contra inflação. Então talvez não precisemos manter 25% do portfolio no ouro (que é o melhor ativo para um cenário de hiperinflação), já que teremos NTN-Bs.

Como comentamos anteriormente a pricipal deficiencia do portfolio permanente ao meu ver é não alocar uma parte do portfolio para o investimento em imóveis, que é uma das mais importantes classes de ativos para a geração e manutenção da riqueza no longo-prazo. Então acho válido acrescentar o investimento em imoveis no portfolio, que poderia ser feito através de fundos imbiliários e diminuiríamos um pouco a alocação excessiva em renda fixa do portfolio permanente. Na realidade os FII vão ter um comportamento semelhante a NTN-B alem de captarem os ganhos provenientes do mercado imobiliário e terem um hedge natural contra a inflação. Devido a isto provavelmente os FII vão render bem em um cenário de queda ou manutenção das taxas de juros e vão ter um rendimento razoável em um cenário inflacionário. E não vão render bem em um cenário de recessão com aumento das taxas de juros.

Então uma possibilidade para o portfolio permanente acrescentando os FII e diminuindo a alocação em renda fixa, associando as NTN-Bs e diminuindo o ouro; mantendo ainda um percentual razoável em renda fixa, seria:

- 25% Ações (PIBB11 ou BOVA11): para epocas de prosperidade e queda na taxa de juros, com certa proteção contra inflação
- 15% Ouro: para periodos de hiperinflação
- 10% NTN-F: para peridos de depressão com queda da taxa de juros
- 10% NTN-B: para periodos de queda da taxa de juros e para periodos de inflação
- 25% DI ou LFT: para periodos de aumento da taxa de juros
- 15% FII: para periodos de prosperdidade ou queda nas taxas de juros e com certa proteção contra inflação

Outra possibilidade mais equilibrada e com um peso menor na renda fixa e um peso maior nos imoveis e nas ações seria:

- 30% Ações (PIBB11 ou BOVA11)
- 30% Renda Fixa: 10% DI ou LFT; 10% NTN-F; 10% NTN-B
- 15% Ouro
- 25% FII

As possibilidades são muitas mas a ideia principal é manter um portfolio o mais equilibrado possivel para que ele vá bem independentemente do cenário economico. Além de tudo a alocação precisa atender e estar em harmnonia com os objetivos individuais de cada um.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Portfolio Permanente - Retornos Historicos















Retornos historicos do Portfolio permanente conforme site do Harry Browne

1970 4,10%
1971 13,40%
1972 18,70%
1973 10,60%
1974 12,30%
1975 3,70%
1976 10,10%
1977 5,20%
1978 15%
1979 36,70%
1980 22,10%
1981 -6,20%
1982 23,30%
1983 4,30%
1984 1,10%
1985 20,10%
1986 21,70%
1987 5,30%
1988 3,60%
1989 14,80%
1990 -0,70%
1991 11,50%
1992 4%
1993 12,60%
1994 -2,40%
1995 16,60%
1996 5,20%
1997 6,70%
1998 7,40%
1999 4,70%
2000 2,70%
2001 -1%
2002 7,20%
2003 11,80%

Média: 9,59%
Desvio Padrão: 8,8%

É interessante que estes retornos não deixam nada a desejar quando confrontados com uma alocação agressiva de 100% em ações (SP500). Infelizmente no site só há dados até 2003. O Sr. Harry Browne faleceu em 2006.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Portfolio Permanente

A idéia de um portfolio permanente foi criada por Harry Browne e Terry Coxon; e a sua estratégia de alocação se baseia na análise dos ciclos econômicos. Os ciclos econômicos poderiam ser divididos em 4 categorias:

1. Prosperidade
2. Inflação
3. Deflação
4. Recessão

Durante qualquer momento a economia estará em algum destas fases ou na transição de uma fase para outra. A estratégia não tenta predizer quando estaremos em algumas destas fases, nem tenta adivinhar por quanto tempo estas fases durarão. Ao invés disto, o portfolio mantem para cada fase do ciclo econômico uma determinada classe de ativos que sabidamente responda bem a este ciclo econômico, independente de quando ele ocorra ou por quanto tempo dure.

Então para cada fase do ciclo econômico foi escolhida uma determinada classe de ativos. Este portfolio foi desenhado para o mercado americano e os ativos são consequentemente do mercado americano; posteriormente, após entender bem o modelo, vamos tentar fazer uma adaptação para o mercado brasileiro.

1. Prosperidade: Durante fases de prosperidade da economia os fundos indexados de ações capturam o retorno total dos mercados
2. Inflação: Durante um período inflacionário, o ouro prove uma forte proteção contra a desvalorização progressiva da moeda.
3. Deflação: Durante deflação, títulos prefixados de longo prazo sobem rapidamente de valor; além de também performarem bem durante fases de prosperidade
4. Recessão: Durante uma recessão nenhum ativo vai bem; então o Harry Browne escolheu como o melhor ativo nesta fase sendo Dinheiro, em um fundo de renda fixa de curto prazo ou poupança.

Assim o portfolio permanente no mercado americano ficaria assim:

- 25% Ações (Fundo indexado ao SP500)
- 25% Títulos prefixados de longo prazo (US Treasury 30 year bonds)
- 25% Ouro
- 25% Dinheiro (Treasury Money Market fund)

Estas classes de ativos estariam sempre no portfolio, de maneira balanceada, independente do que estivesse ocorrendo na economia. Esta estratégia é planejada para prover um crescimento do seu dinheiro de forma estável e segura, independente do que possa ocorrer no mercado, sem tentar predizer o futuro, pois o mesmo é imprevisível.

A principal deficiência do portfolio permanente, ao meu ver, é que ele não inclue o investimento em imóveis. Harry Browne acreditava que o investimento em imóveis tinha pouca liquidez, necessitava de grandes quantias e tinha um comportamento muito imprevisível. Contudo atualmente temos instrumentos como os fundos imobiliários que permitem que ao investidor ter acesso ao mercado imobiliário, com muito maior liquidez e podendo investir valores bem menores, além de poder diversificar facilmente entre vários imóveis. Então grande parte dos “problemas” relacionados a investir em imóveis estariam contemplados.

No próximo post vamos tentar adaptar o portfolio permanente ao mercado brasileiro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As 16 Regras de Ouro da Segurança Financeira

Harry Browne (www.harrybrowne.org), consultor financeiro já falecido, em seu Best Seller "Fail-Safe Investing", advoga o que ele chama de "As 16 regras de ouro da segurança financeira":

1°) Sua Carreira é a fonte de sua riqueza
2°) Não presuma que voce pode repor sua riqueza
Assim trate seu dinheiro como se nunca mais pudesse ganha-lo novamente
3°) Reconheça a diferença entre investir e especular
Quando voce investe, voce aceita os retornos que o mercado está pagando aos investidores em geral; quando voce especula voce tenta se sair melhor que os demais investidores, o que implica na crença que voce é mais esperto que a maioria dos outros investidores. Não há nada de errado em especular, contanto que seja com dinheiro que voce possa perder.
4°) Ninguem pode predizer o futuro
5°) Ninguem pode realizar market timing de maneira consistente e lucrativa
Ninguem pode garantir que voce vai estar sempre no lugar certo na hora certa
6°) Nenhum trading system vai funcionar tão bem no futuro como funcionou no passado
7°) Não use alavancagem
Quando alguem quebra, quase sempre é por que usou alavancagem (dinheiro emprestado de outros)
8°) Não deixe que ninguem tome decisões por voce
9°) Nunca invista em nada que voce não entenda
10°) Não dependa somente de um investimento, uma instituição ou de um pessoa para a sua segurança
11°) Crie um porfolio a prova de falhas para proteção
Para o dinheiro que é precioso para voce e que voce não pode perder, crie um portfolio simples, balanceado e diversificado, o que o Harry Browne chama de Portfolio Permanente. Este portfolio deve assegurar que sua riqueza sobreviva a qualquer evento futuro.
12°) Especule somente com dinheiro que voce pode perder
Se voce quer tentar bater o mercado, crie um segundo portfolio, separado, com o qual voce possa especular, mas tenha certeza que este portfolio contenha apenas dinheiro que voce possa perder; Harry Browne hama este portfolio de portfolio variável, pois pode ser investido em qualquer coisa.
13°) Mantenha alguns investimentos fora do pais que voce vive
14°) Tenha cuidado com qualquer esquema feito para evitar pagar impostos
15°) Reserve dinheiro em um orçamento para diversão pessoal
16°) Quando estiver na dúvida, é sempre melhor errar para o lado da segurança

As 16 regras de ouro da segurança financeira são as mesmas regras consagradas que usamos na vida e que aprendemos na infancia da nossa mãe: Reconheça que voce vive em um mundo incerto; tenha cuidado, seja precavido e não confie em estranhos. Se voce seguir estas regras pode ter certeza que suas finanças agradeceram.

No proximo post vamos falar então sobre o Portfolio permanente de Harry Browne, desenhado para sobreviver a qualquer evento economico futuro.